Terça-feira, Junho 27, 2006

deixa-me rir

fico contente, agrada-me esta lembrança de nunca precisar de pensar em nada para além deste instante, agir no ápice, no repente da vontade, no desbocado que me sinto, nas gargalhadas do momento.

Domingo, Junho 25, 2006

intervalo

fome, tenho fome do teu corpo, devorar-te neste instante, sentir o paladar da tua pele, beijar-te. fome, tenho falta desse gosto, lambuzar-te agora, sentir o arrepio, lamber-te. sede, tenho sede desse líquido que jorras, refrescar esta garganta seca provocada pelos teus gemidos no passear das minhas mãos em ti. sede, sede na saliva do meu beijo, neste molhar da tua pele coberta já de desejo. fome, fome dos braços e pernas entrelaçados nesses gemidos ardentes dos nossos corpos suados e colados.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

a minha bandeira

escrevo-te agora neste meu teclar que em ti se mastiga vagarosamente, saboreio-te em cada sílaba, espremo cada jogada tua e beijo-te nos meios, nos passes, nos cruzamentos e nas frases que te transmito. imagino-te sim e vejo-te por entre as letras, ouço-te por barulhos tépidos de dedos que nas teclas cai, percorro-te agora no drible quando a bandeira afasto, escudos atiro no sorriso que te exijo, no vermelho que te pressinto e no verde de esperança que te carrego. olho-te agora sem hora nem ponteiro aplaudido, apenas passa, apenas percorre no tic tac de digitais abençoados, antenas que nos ligam neste beijo que te atiro, roubo e persigo agora que te abraço, aplaudo, grito e despenteio. espero-te sempre no sorriso rasgado, amo o segundo, amo a letra que se encavalita numa após outra e faz a frase que transmito a brisa de verdade nesse jogo de vitória. beijo-te sim e escrevo-te agora...

Quinta-feira, Junho 22, 2006

não... obrigado

não escrevo poemas nem tão pouco sigo regras numa métrica imposta, apenas escrevo nestas coisas que escrevo. atiro para aqui emoções. somente emoções. escrevo palavras, construo frases num traço, num respiro, suspiro que queria numa tela, numa cor, num desenho através de uma música que ouvi, dum velho que falei, duma vida que vivi, dum momento que sonhei, duma criança que ri, dum beijo que senti. escrevo apenas nesta vontade que me assalta longe de qualquer projecto, livre de qualquer complexo, fora de qualquer editora.

Terça-feira, Junho 20, 2006

preso por elástico

pintei com os dedos os rabiscos do pensamento, embalei nas cores a palete da alma, espiral em quadrados de corpos entrelaçados. laços nos tons laranja agora que no nó direito me espalmo. dedos que viram pinceis nesta tela da vida quando os dedos se amarram e pintam a mais leve silhueta. caran d´ache baralhados por entre cores não encontradas, corpos despidos de tão nú de alma, despido neste esvoaçar do instinto, nú de tão estampado em riscos apenas de livro 100% reciclado.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

beija-me onde nunca me beijaram…

Sábado, Junho 17, 2006

pós modernos

...e atirei na toa do momento todos os meus sonhos, estão para aqui espalhados aos teus pés. caminha com cuidado nesse pé ante pé, desliza sem o peso que te gosto pois é sobre eles que caminhas.

conventual(idades)

reclusão no mergulho nestas águas calmas, mansas neste pensamento flat deste sentimento imerso. apneia apenas neste descansar da alma no beijo agora na tua face. mãos que percorrem o pescoço no beijo que desliza para os teus lábios. abraço apertado ainda em borboleta de casulo protegido. olhos que se cruzam no gemido mais audível agora que estonteados os pensamentos enervam e comichosos se entrelaçam nesse abraço despido de tão nú me sentir. beijo-te no tempo desse relento que fechado não sinto, beijo-te e pronto assim despido nesta clausura que me obrigo. recolhimento que seja, prisão deste espaço por mim fechado. convento!

Sexta-feira, Junho 16, 2006

c4

sustos que voltam neste tempo que fazia esquecer, invasões agressivas, pensamentos sombrios que possessivos se apoderam da vida. tomam conta do sono, transformam sonhos em pesadelos. merda de cervical nesse tempo gelado que custa trespassar, digestões deitadas neste enfiar dos cornos em edredon aconchegado. silêncio em ferida profunda, corte sangrento de batalhas que se avistam.

Quinta-feira, Junho 15, 2006

ezequiel 25:17

o caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens de mal. abençoado é aquele que no nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale de escuridão, para quem ele é verdadeiramente o seu irmão protector e aquele que encontra as suas crianças perdidas. eu atacarei com grande vingança e raiva furiosa todos aqueles que tentam envenenar e destruir os meus irmãos. tu saberás: chamo-me senhor quando a minha vingança cair sobre ti

Quarta-feira, Junho 14, 2006

frase #43

infinito com esse sabor fantástico... nas flores e nos odores, cio de nós, cúmplice de encaixe, almas gémeas, corpos de sempre...

Segunda-feira, Junho 12, 2006

meia tarde

estou acordado, desperto nestes aromas da vida e sufocado pela penumbra do tempo. lembranças traiçoeiras que surgem assim rasgando o tempo na velocidade da luz em trespasse com o espaço. viajo apenas por entre teclas de abecedários aprendidos faz tempo neste tempo que consome e desgasta sem parar. saboreio o segundo, abraço o momento, beijo a hora em preliminares demorados desses minutos que estico, prolongo a saliva nessa troca fantástica em rodopios de prazer.

Domingo, Junho 11, 2006

vou em 737 coisas que escrevo

sou tudo e nada mas tudo o que sou é apenas o nada que ficou, de não ser tudo nem ser nada.

Sábado, Junho 10, 2006

sem pontos nem vírgulas

sozinho quero estar no silêncio com o silêncio absolutamente sozinho eremita louco guru tão pouco despojado e ignorado a ermo no deserto em busca do vazio encontro o incerto aliando-me ao nada abstinente de tudo descompromisso desintoxicado com tempo ao tempo escuto o vento no prego ao vento sem parentes ou aderentes sem dentes de mãos dadas com os dias que dormem abraçado aconchegado entrelaçado com as noites

Sexta-feira, Junho 09, 2006

frase #42

luto tanto que por vezes acabo por me esquecer do caminho que tomo, do cruzamento que viro, do semáforo que não páro, da placa que não reparo. torno-me nessa presa fácil.

Quinta-feira, Junho 08, 2006

cheiro com olfacto

sou levado pela brisa neste vento que me sacode dos dias que passam assim a correr. noite que cai assim nessa vontade doida de te ter nua, despida de preconceito no beijo que trespasso, apalpo e agarro cada vontade mais apurada. as tuas pernas nos meus ombros agora que beijo e rebeijo o clitoris em ritmos estonteantes nesse dedo que entra e sai sem parar. chupão na virilha numa após a outra nesse segurar das nádegas que apalpo e repalpo de tesão ao rubro, desmiolado de tão despenteado que me sinto assim neste cair da noite em noite apenas ao vento envolto no cheiro de tão cheiro me sentir. assim no cair da noite.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

sentidos são cinco

é na minha boca que te encontro neste instante, nessa linha recta da cama que te sinto estendida no momento. beijos que sobem e descem nos braços que comandam estas mãos irrequietas. invasão dos dedos nessa avalanche ao de leve no tocar sentido de cada volúpia, sentidos de luxúria nesses olfactos de prazer, ruídos de vontade, sabores de magia, tactos de pele nua, visões de provocações nesse rebolar sem parar na vontade que nos assalta a cada instante.

Terça-feira, Junho 06, 2006

sem pedigree

não sou de raça, longe de mim tal tormento. sou rafeiro único, tresmalhado desse rebanho. grito quando tenho vontade no estar nas tintas para essa merda toda. sigo as setas no limite da velocidade imposta e piso a linha por cada charro que esfrangalho. prego na alma em meia dúzia de linhas, algumas tintas ou num fruit loops vomitado por umas jbl embutidas num paralelo tecnológico. não sou de raça neste arraçado duma espécie qualquer, apenas vim dum zóide mais rápido na agilidade do momento.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

v o a r

eu esvoaço neste corpo que também voa, plano na tua flora agora que as minhas mãos percorrem todos os teus limites neste espalmar do corpo contra o teu, sem medos nesse abraço de almas arrepiadas no toque intenso, intimo, fulgurante.

Domingo, Junho 04, 2006

730

desenho na tua pele esses arrepios que me trespassam, essa febre que me escorre, esse pânico de desejos.