é num intenso rodopiar sobre o meu próprio eixo que reinicio o lento movimento de translação numa rota perdida, sem fim, nem começo apenas num momento em que tudo se torna abstracto. a razão do ser toma o lugar daquilo que não se é ou imagina ser. apenas sonho, apenas brilho, será realidade ou ilusão? apenas momentos em que o vazio toma conta do ser, noite que cai devagar, esperança que parte sem dono e muito menos sem rumo. talvez a única luz, aquela bem lá no fundo do poço seja a explicação daquilo que se busca e a salvação para aquilo que se espera. a vida essa não passa de uma espera que encaminha para outra espera na esperança da eternidade. apenas mais um passo, apenas mais um riso ou apenas mais uma lágrima, tudo é feito de apenas. eu caminho nessa noite fria, nessa noite vazia e na fúria do mar, na tempestade do luar, nas entrelinhas das estrelinhas do mar apenas remando contra maré. depois nesses instantes finais, nesses momentos reais na surrealeza do esplendor e na ânsia da espera da última volta em torno do meu próprio eixo, nessa rota perdida sem fim nem começo, por um momento finalizo a volta final, na esperança de achar a única luz, aquela bem lá no fundo do poço e aos poucos as lembranças se apagam, os versos viram nada, tudo se torna pequeno demais. aquilo que era fim se torna um recomeço de mais uma volta, talvez curta, talvez média, talvez longa ou talvez quem sabe eterna.