Quarta-feira, Novembro 30, 2005

frase #30

sons mudos, calados de tão fechados se encontrarem os lábios...

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

sei lá que título...

mas que coisas me trespassam o pensamento em imaginações estonteantes de vontades ao momento. sim beijos tresloucados neste cheio de tesão, foder com alma e paixão de corpos suados que sobem e descem sem parar. ritmos marados em abusos de palavras, matracas repetidas nesta hemorragia de palavras. mas que tesão na luxuria de cada letra em sílada que se junta, de gatas agora em ancas seguradas com força a cada investida, repetida a cada tecla em letra que surge. aparece no ápice do rodopio agora com as pernas nos meus ombros, teclado parado estático no frenesim de cada entrada da piça que sai no mesmo instante da cona que lateja. gemidos ao alto em letras espalmadas, grito agora em esporra de razão na vontade maluca, doida… conjugo letras.

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

+ 1 tela

pinto com cores nas aguarelas da alma, raspo com dedos na vontade tresloucada. momentos ao vento de arco-iris vaiados, raiados numa colagem qualquer. decalco frases soltas em laço no enlaço do entrelaço mais louco, calco apenas desbocadas fantasias. pinceladas marcadas na noite mais desmaiada entre businas ao acaso de travagens víncadas de aglomerados de tesão. olhos quase fechados entre mãos já suadas e sangradas pelas palavras.

Terça-feira, Novembro 22, 2005

outro boss ac, boa!

...chiuuu, não digas nada, beija-me outra vez com esses teus lábios de fada, há palavras que ainda estão por inventar e por mais que tente nunca hei-de conseguir explicar, não sei se é calor, não sei é frio...

Domingo, Novembro 20, 2005

miles #11

no fim distinguiu-se de um fundo em azul petroleo o laranja manchado de sangue de umas luvas de boxe. penduramos sem mãos ou corpo ou força, acabadas de usar. acabarmos mortos.

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

tic tac tic tac tic tac

sem respiro neste escrever sem parar, adjectivos que não chamas. mas que raio de nome se confundem todos estes sentimentos? grito no abismo, grito apenas em vontade de berrar sem parar, saltito apenas sem pena e de bom agrado nestas encruzilhadas do pensamento. começo profano deste rio em que a vida arde, palpita e escorre veias a dentro, fodasse que conjugo verbos sem futuros imperfeitos apenas no viver segundo após segundo nesta hora que me espeta. perfeito que seja que me estou a cagar pois apenas conjugo verbos neste respiro das pontas dos dedos em ligação directa ao pensamento.

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

32 carregos

a carga pronta e metida nos contentores adeus meus amores que me vou para outro mundo… e que o tamanho, o rosto, o sangue, a cor da pele na fria razão do instinto me estrangule o pensamento já que eu ouço a voz das guitarras tingindo de paixão a noite que já vai alta. uma fatia de bolo para ti que será nessa maré viva que estremeço ainda que saibas que nunca é tarde pois sem ti eu anoiteço. sim essas velas que não apago nesta carga pesada de mão direita firme que enche de palavras o papel e inunda esta imagem. sim essas datas que festejo na retoma de lutas das horas do desejo com o mesmo requinte que deu origem de mim. grito nas palmas que me batem na vênia que transmito, admito tenho fome na sede sem parar neste sonho de vinho, de pão enfim de infinito. parabéns carga de carrego numas tantas primaveras viradas outono de invernos trepassados nos verões preferidos.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

ausência

de que me importa a melodia se dou aos outros com pávida alegria o pouco que sou? de que me importa o bem que me sabe estar só se no meu caminho e bem dentro de mim cabe a glória de caminhar sozinho? que importa a vã ternura das horas magoadas se ao meu redor perdura o eco das minhas caminhadas? que importa a solidão e o não saber onde ir se tudo ao coração nos fala em partir? sou daqueles que ainda estão presentes e bebem do amor a única ausência, quantas perguntas faço nos quantos pedaços de mentiras que retenho na viscosidade do meu cuspo? quantas verdades apaixonadas reclamam ansiosas o esperma das palavras? nenhumas, talvez, nenhumas... escravizo o silêncio e faço dele o meu mensageiro. estou presente em tudo ou mais e aí onde me procurarem que será a minha próxima ausência.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

número 1

sinto os desejos, sinto os beijos nos desejos por ti. dislumbro o sorriso na fome da voz mordida pelos lábios que estimula a imaginação. tesão ao rubro quando sinto a boca quente no abraço apertado, corpos entrelaçados no lamber calmo, refastelado e podes ser tudo ou nada neste caminho que nem sempre é estrada, 1 beijo no enorme abraço em transparência e que tudo à volta volte à estaca zero.

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

= a pessoa

pessoa que me ouve na pessoa que me lembro tão perto em aconchego aqui no meu ombro, sim dizem que finjo ou minto tudo o que para aqui escrevo, mas não que eu simplesmente sinto com a imaginação sem uso de coração. escrevo livre de qualquer enleio tudo o que sonho ou passo e sobre outra coisa ainda, escrevo sério do que não é. sentir? sinta quem lê!

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

miles #08

rasgou a tela e atirou o caixilho. procurou a bisnaga e espremeu-a com os dedos esguios como se fosse um instrumento. ideia da treta!

miles #10

trabalhou com método longas horas em silêncio feito a suor. poderíamos dizer dos gestos que eram elegantes mas é uma mentira piedosa, só entende o jazz quem sabe de cor.

davis #03

apetecia-lhe gritar por um instante só para se ouvir mas não tinham som ou fúria. bastava-lhe o sopro, olhou o trompete sujo mas também o ar o abandonava do mesmo modo que a tinta lhe escorre da tela.

miles #09

com o pincel levou a cor ao tecido ainda virgem. apareceu-me uma nova como se nunca antes tivesse sido vista aquela tonalidade.

miles #06

há dias que perseguia o exacto tom. misturava as tintas esmagando as bisnagas brutalmente, mexia-as com as mãos no exacto instante em que lhe parecia exacta e colocava-as na tela. por minutos tinha a satisfação de ter encontrado. engano não era aquele fundo. não podia ser.

miles #02

há muito que a voz lhe havia fugido com os gritos de fúria e desespero. tantas as vezes que precisamos de gritar e os nódulos não ajudam. mas era só uma doença só mais uma além do cansaço.

miles #04

esteve sempre só não era novidade mas ganhava uma cor distante, uma elegância bruta, rara. os elogios só pioravam as coisas. ninguêm entendia por que merda de um raio não se limitavam a ouvir? calados!

miles #05

olhou para as mãos esguias, nós e pele envelhecida. elegante murmurou... manchas de cor sobre o negro. riu-se!

miles #07

as gotas de suor atravessaram-lhe o rosto como um sol da janela e vinha uma melodia popular, roupa estendida, gritos de miúdos. era uma ideia, uma boa ideia para desenvolver. voltou ás tintas básicas. pode ser uma cor erudita?

miles #01

estava calado apenas, não de sentir a voz como tivesse falado demais, demasiado tempo. não foi assim pois amava o silêncio.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

s|e|d|u|ç|ã|o

sedução… vou pular nesse luar de olhos fechados em braços estendidos de ângulo fechado de tão perdido estar sem bussola nem rota, perdido apenas nessa centena de corpo suado que sobe e desce em ritmos surpreendentes de imaginações tresloucadas. sedução… na entrega assim à embriaguez das loucuras e devaneios sem parar. enfim nesse brilho do olhar, na suavidade dos cabelos, no cheiro dos pelos que ficam apenas para me provocar. tentação que ouso sonhar no fechar com força as pálpebras do pensamento. sedução… dessa figura nua, sim tão nua que passeio pelo desejo nessa doce magia da tua figura apenas nua, perdido no corpo em gritos ao desafio, gemidos nessas rectas curvas e paralelas do encontro dos nossos corpos. sedução… desses loucos gemidos nessa cama macia onde tudo vira orgia.

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

será eros?

eros oferece o corpo à sua amada psiqué, mas ele só o faz no escuro, exige que psiqué não o veja e aceite esta condição. eros se furta para fazer imaginar.

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

fodasse prás festas

fodasse que não gosto de festas, detesto-as mesmo e aborrece-me a conversa fiada. irritam-me os pratos de plástico. os talheres de plástico. os copos de plástico. servem-me coelho assado num prato de plástico, forçam-me a comer com talheres de plástico, o prato nos joelhos, porque não há mais lugares à mesa, e inevitavelmente o garfo quebra-se. a carne salta e cai-me nas calças. derramo o vinho. além disso odeio coelho. fodasse que detesto festas!

Terça-feira, Novembro 01, 2005

calem-se vogais

silêncio que se faz tarde, chiuuu que este corpo espera pelo tacto numa dança louca ao sabor do toque na mais pura sintonia. adorava ver-te lua a tomar banhos e banhos sempre nua, despida das sombras nos linhos de modas que eu derreto-me agora no deslizar destas mãos em ondas cintilantes direito aos sentidos mais requintados em espirais lambuzados. silêncio que é noite e tanto sonho na ardente orgia como na luxúria em te ver muito nua na posse de nós mesmos. silêncio apenas num desejo e tanto na orgia do sonho de tal ardente luxúria. caluda maluca loucura, tonta e sedenta em animal algo diferente no espaço da carne dessa essência na imensidade da alma entre tu e eu.