Segunda-feira, Outubro 31, 2005

ainda ouço ashcroft

quando estou em baixo, fraco e perdido não sei em quem posso confiar. paranóia, essa coisa destruidora que entra sem bater sequer à porta. sabes... a dor permanece por dias, noites mas aos poucos vai diminuindo e quando isso acontece eu dou um passo, respiro e pergunto-me pelo que encontrarei.

frase #29

gosto de mulheres com falo no meio das falas em que as palavras pingam e as frases entram rasgadas. gosto de mulheres que fodem as regras de gramática e comem as letras enquanto as goza.

Domingo, Outubro 30, 2005

cerca na rotunda

não vejo a lua nem consigo contar as estrelas escrevo então… pssst que sou eu que te dou um beijo neste espaço frio entre rajadas de vento deste abraço de memória. apalpo-te agora no calor que se deseja dos beijos que espalho, abraço com força quando descaio com vontade do beijo agora na anca de beijos repetidos nas mãos irrequietas de leves toques na vulva, turbulentos por sinal entre beijos no beijo do encosto apertado, abraços de tesão inteiro no roçar de paixão deste passar ao de leve nestes braços que são meus. sim são meus estes rios que procuram um caminho, que se arrastam entre o luar e o silêncio, entre a sombra e a madrugada, entre a luz e o dia até ao fim deste mar qualquer. a minha alma está por aí, vagueia líquida e sonora como a água deste mar entre mar. sim tenho rios vermelhos e quentes na minha dimensão física, rios remotos, longínquos de tão perto estar mas remotos como eu.

Sábado, Outubro 29, 2005

alma

...procuravam saber se alguma coisa restava e, como nada acharam senão matéria inerte, como não viram nada a escapar-se, como nada conseguiram apanhar, concluíram que tudo se continha nas propriedades da matéria...

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

dunas

dunas brancas dunas onde bem alto deveria brilhar o sol, dunas brancas as tuas nádegas, dunas firmes dunas onde rápido me pulsa agora o sangue, dunas doces dunas brancas dunas onde tremo e desisto, onde firme e insisto nas tuas nádegas suaves e frescas, belas e dunas brancas dunas.

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

oh! va bene? oh!

labbra libere su navi sto afferrando cio che hai detto so che non e nella mia mente steso sul letto che e ok perche non ne parliamo perche dubiti sempre che ci possa essere una via migliore non mi fa venir voglia di restare perche non ci lasciamo non c'e piu niente da dire l'asola della mia camicia pregava che non s'allontanassero oh! quando mi sono eccitato ecco quel che fa la differenza oggi spero che scoppi hai detto che abbiamo fatalmente fallito quando mi stanco facile va bene? radiami dalla tua lista questo e stato l'ultimo bacio me ne andro perche non ne parliamo sono qui non gridare a tempo debito dimenticheremo facciamo finta che non ci siamo mai incontrati fottiti non mi e piaciuto il tuo sapore pero ti scelsi lascia che sia tutto finito al sabato sciupato usciro a cercarmene un'altra perche non ci perche non ci lasciamo non c'e piu niente da dire l'asola della mia camicia pregava che non s'allontanassero oh! quando mi sono eccitato ecco quel che fa la differenza oggi

Terça-feira, Outubro 25, 2005

4 letras pode ser boca ou cura

precisava da tua boca aqui para me segredar os gritos que não me deram, precisava que não tivesses esquecido os mimos e me lambuzasses nos ouvidos como poemas que não me leram. precisava da tua boca aqui e enchê-la da minha boca, encharcá-la de palavras livres mas loucas e dizer-te o que nunca escrevi, contar-te a preceito a insanidade mais sôfrega. precisava da tua boca aqui para afirmar as incoerências e torná-las suaves, semi verdades nas intransparências. consentir crédulo às promessas sabendo-as efémeras porém eternas, molhadas de incongruências. precisava da tua boca aqui para me saciar do desejo e humedecer os entre-lábios da memória, retomar o fio à história e perecer no ensejo do abraço no teu beijo. precisava da tua boca aqui que a reinvento de passados futuros como os corações de giz desenhados no muro faz tempo.

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

ccb world press foto

pode ser triste? sim triste de na fossa mesmo de tão triste escrever. cinzento de preto mesmo entre maldições povoadas de fantasmas e medos. brrrr de frio, brrr de medo já com rosto gretado, sulcado de rugas entre olhar já cansado. uivos que seja em noite solitária, estou triste sem espaço de em mim caber. grito no rouco que anseio de voz cansada no grito após berro sem parar. feiticeiros lidos entre rezas murmuradas, defumadoiros esvoaçados entre portas fechadas e janelas em fumos imaginados. triste sem alegria mesmo de tão melancólico e sombrio em talvez ou apenas deprimido… “entrei feliz e saí triste, mesmo triste sem muitas palavras para descrever o que vi e senti, o homem é um bicho mto estranho, maquiavélico, ambicioso, sem grandes sentimentos, o poder é uma coisa que transforma qq ser humano num monstro, o fanatismo e o fundamentalismo sempre me deixaram assustada e de cada vez que assisto a este tipo de exposição onde nos colocam no lugar de juiz é.me completamente impossível definir a capacidade que existe nestas "pessoas" de fazerem mal sem se tocarem ou sentirem, até percebo a diferença de culturas, religiões, pobreza emocional, miséria e 500 mil coisas associadas, mas o mais triste é que tudo se resume ao poder.”

dedos

escrevo como respiro, como caminho em pulsar constante de coração na ponta dos dedos deste impulso de passo após passo. calcanhar vincado, barulhento na noite em que a mão viaja por teclas de dedos ensinados, bailados salteados em piano de alfabetos misturados. histórias perdidas noutras ganhas entre estes solavancos da vida, sonhos acordados entre colinas de dias, montanhas de noites entre madrugadas trespassadas e devoradas ao ritmo de dedos nas mãos irrequíetas dos beijos sem parar. viagens mudas, passeios celestes da boca no umbigo, das mãos na anca no esconde esconde de línguas misturadas entre lábios agora humedecidos. berço da noite neste bébé do dia entre marés vazantes de areias finas, rebolo sem perguntar ao mar, que é manso e liso em chão de noite herdada, se acordo entre a salitre na breve ingénua tolerância aproveitada ou se me deixo embalar neste sonho de rebolar sem parar.

Terça-feira, Outubro 18, 2005

1 minuto apenas

entre o um minuto e o nada venha o minuto que o agarro na força do instante. a mão essa ia para as costas dessa madrugada qualquer de alma ao rubro nestes braços que se estendem. sem cantos neste planeta redondo em esfera de rodopios embaraçados, beijos esvoaçados nos apalpões repetidos entre quimicas de alquimias misturadas. hummm entre sussurros nos corpos que se misturam, contorcem sem parar neste minuto que seja. segundo que beijo no próximo que me aconchego entre braços apertados. segundo que lambo no seguinte que me dispo. segundo que mordisco no repente da vontade de entrar feito um louco sem mais parar. ritmos estonteantes nas paragens mais sentidas, quero asas ou um fio qualquer neste zás tás cá agora neste minuto que seja já que nada nunca que me fazem surgir chagas de satitre… beijo no umbigo.

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

set up

"-i want to tell you a story.
-what´s your name?
-is that important?
-well, no one likes to talk to a face without a name.
-but you´re looking at me.
-yes, but i still don´t know you are!"

Sábado, Outubro 08, 2005

es-treme-ço

estremeço com a vontade desse fundo já que nasci em claustros, escadarias de convento repletos de ecos em tesão. fodo por essa santa angústia em grito de viver nesse mundo mais belo no desejo de povoar esta terra sombria em sonhos de amor. melodias em gemidos nas harmonias de corpos sincronizados entre mãos de apenas artistas suados sem canseiras de mãos agora nas ancas. estremeço apenas no beijo que percorro e prolongo entre lábios que agora humedeço de língua sempre irrequieta desta sinfonia de mil vozes ecoadas por apenas duas garagantas. beijo na nuca nestas verdades terrestres, consoantes com verdades destes céus que entoam estes acordes cerrados e vibrantes, agudos sobre as cordas que viraram cabelos despenteados e ofegantes entre ritmos estonteantes. estremeço…

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

frase #28

quando canto torno-me numa canção e quando escrevo torno-me num poema mas quando vos digo, amo-vos... torno-me no verbo amar em todos os tempos.

Segunda-feira, Outubro 03, 2005

triimmm triiimmm

quatrocentos e vinte e um contei eu no digital do quilómetro marcado. foi de gás na música ao rubro dum east west repetido pelo menos três vezes nas voltas que deu. olhei tracejalhos repetidos no furar repentino de atmosferas quentes no pesado trambolho da pouca vontade que tinha. li e reli no encanto que cismo em não quebrar da vontade estonteante de rodopiar feito um carrosel de embalar. quero lento no devagar do momento, quero durar no mais que anseio, quero tudo e mais alguma coisa neste “feitiço feito de alquimias estranhas”. baloiço apenas nos escombros de itinerários estranhos mas quando a minha mão deslizar pelo teu corpo despido de tão nú que anseio vais ver que as estrelas estão lá todas, alinhadas pelo quadrante na margem das cicatrizes que se afundam.