Quinta-feira, Junho 30, 2005

de pé... sempre!

dou por mim em pé cansado de joelhos mastigados por truques trocados entre pedais inventados. escrevo direito escusado de poltronas ou horizontais apoiadas por almofadas de penas. rejubilo o sacrifício entre suor de momento de tempo ao rubro deste céu azul que me cobre. escrevo de pé em breves passagens de testa molhada, embrulhada por pensamentos de agora na partida do já em abastecimento na hora. escrevo rápido em teclado de inox de moedas já metidas, escrevo em ponteiros de segundos que não páram, escrevo lembranças, relatos nas memórias que me assolam no ficar triste da dúvida de tretas que este é irmão daquele e filho deste em dedo aguçado, apontado em riste de sorriso. adormeço enrolado no embrulho da mais pura tranquilidade, desmaio de verdade em sono de catadupa que surge no trambolhão do cansaço. escrevo em pé, sentado ou deitado, mas escrevo na fala da consciência do esparramar da alma em transbordo da lembrança.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

mergulho sem respirar

vou ver o mar sempre que posso mas mergulho nele sempre que quero. encharco-me até às entranhas em salmoura de vontade estonteante de explodir feito um doido qualquer. que raiva na procura desenfreada do grito em voz já rouca, cansada no recarregar sempre nos turbilhões de oceanos em pensamentos tresloucados. inverno que me apetece chorar, lágrimas em gritos de pequenas gotas apenas soltas na ânsia de apenas saber adormecer feito um bébé qualquer. procuro um lugar sem parquímetro nem tabuleta de deficiente, merda que procuro um lugar ao sol. quero esturricar a fonte em testa suada de tanto transpirada, quero colar a camisa ao corpo e chorar por cada canto e esquina no transpirar em bica. escrevo apenas mas escrevo triste no despejar de cada sílaba, escrevo com raiva mas escrevo pausado na cavalgada deste momento em frase que solto e arrebento a cada pulsar forte deste coração que já aqui não cabe. vou ver o mar sempre que posso mas merda que me atiro a ele sempre que quero.

Sábado, Junho 25, 2005

histórias

tenho histórias guardadas em pilhas de baús empilhados na memória. lembranças de outrora em rabiscos de vontades, tenho preguiça a cada espreguiçar da alma, preguiça no abrir da tampa carregar no on e teclar desalmadamente no desprendido de preconceitos. tenho preguiça neste detestar de regras impostas apenas queria ser do tamanho do oceano sem ninguêm me poder mover. alguêm me disse que o lar é no céu resisto e prefiro o mar sem tretas nem conversas em apenas acção, nasci ontem, hoje ou amanhã que se foda o tempo estou cá agora e nasci com um coração de pedra para ser quebrado com um golpe forte, seco e preciso. histórias calcinadas incrustadas de momentos sobrepostos em adornos de acções, volumes uniformes de histórias guardadas de pedra em formação.

Segunda-feira, Junho 20, 2005

fôlego

gosto do chiu no silêncio que por vezes detesto, gosto do sal impregnado na pele da comichão que por vezes odeio. farto-me fácil em corcunda de caminho no correr feito um desalmado tipo um saltimbanco qualquer. não sou acrobata, palhaço nem tão pouco malabarista, sou eu que para aqui explodo, me coço e escrevo sem parar na ânsia desenfreada de cuspir num só fôlego esta náusea provocada por esta montanha russa da vida. grito num respiro de parágrafo ao rubro, bafo na vírgula em ponto deste sopro, alento da sílaba em esforço de palavra neste ânimo de frase que vomito.

Domingo, Junho 19, 2005

zzzzz

no apenas virar duma chave como quem lê uma página no abrir por abrir, abrir por dentro em libertar-se apenas como quem se envolve na personagem, lento de lentamente passando em apenas andando por aí. descobrir o além do sonho no impensado do incerto no certo dentro do mais que imaginado nestes olhos que buscam cobrir-se no sonho.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

partes em laura

...é o silêncio da cumplicidade, dessa eterna condição humana. é o silêncio de quem encontra a madrugada porque nunca a consegue evitar. é o silêncio da madrugada. é o silêncio de todas as palavras que ficaram por ser ditas. é o silêncio dos corpos calados, imóveis, largados numa cama. é o silêncio da escuridão sem imagens, sem rostos, sem expressões, sem pormenores por desvendar. é o silêncio da pele, dos dedos, das mãos esguias, dos pés compridos, das pernas flectidas. é o silêncio das noites em que nada prevalece para além da mera simpatia. é o silêncio de quem olha e nada mais vê, nada mais encontra, nada mais descobre no meio de uma multidão infinita de conhecimentos. é este o silêncio. é esta a rotina. é esta a consciência. enquanto o silêncio perdura, a mente dispara um conjunto complexíssimo de questões, de dúvidas, de certezas aparentes, de tentativas árduas de compreensão daquilo que é alheio e, em certa medida, transcendental. enquanto o silêncio perdura, perduram as mantas compridas e perdura ainda a almofada imparável...

Segunda-feira, Junho 13, 2005

obrigado

eternamente grato até que os também meus olhos se fechem e parta para lá deste lado que nos fartamos de mandar vir ...meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada... curioso tão sublimes frases em tão boas personagens divididas entre políticas e escritos na saudade de já eugénio de andrade no seu porque não... respiro o teu corpo: sabe a lua-de-água ao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida, sabe a brisa nua, ao sangue dos rios, sabe a rosa louca, ao cair da noite sabe a pedra amarga, sabe à minha boca... divido leituras nos dois que hoje partiram no lembrar de estrelas de seis pontas ou até embrenhado no teu até sempre, camarada!

Quarta-feira, Junho 08, 2005

humm rapidinha

viro-me a cada instante no nú que me deito em tesão ao rubro. acordei vezes sem conta na vontade de suor partilhado, repartido por corpos entrelaçados nas espirais de prazer. mas que tesão na foda imaginada de beijos trocados entre mãos irrequietas e lábios ávidos de beijos sem parar. as tuas pernas nos meus ombros em mergulho de coxa após coxa de beijos mordiscados em masturbação permanente. beijo que sobe em umbigo que descansa, pára apenas por breves instantes em mãos agora nos seios dos mamilos que apalpo, aperto e brinco. a boca nas mamas enquanto os sexos se tocam e roçam entre leves toques em glande bem junto a clitóris com brincadeiras de momento. lábios com lábios em esconde esconde de línguas mexidas na velocidade feita á medida, murmurios na orelha em mordiscar por curtos espaços no deslize lento, repousado na delícia do percorrer cada canto quando penetro pausado no repente das vontades já partilhadas das pernas que me envolvem, puxam e empurram em ritmos cada vez mais loucos no rápido da rapidinha sem parar.

Domingo, Junho 05, 2005

não e não

dou movimento a gestos corporais impensados nos autênticos e tresloucados pensamentos. dou e tiro ao mesmo tempo que os ritmos urgem e resvalam na minha cabeça. incorro na falta a cada escorregar pelo declive da vida, lanço-me no deixar cair á toa, no calhas do instinto deste padrão inato de comportamento. estímulos a cada massajar lento no rápido do pensamento deste agir desenfreado. caminho sem parar a cada delícia inalada, provada e mastigada em corpo de perfume raro. silêncio em barulheiras ao acaso nos rodopios da verdade, espirais de mordomias que são rasgadas nas ultrapassagens destemidas. sinais de outrora em magotes de histórias nos passados desviados deste esquecimento premeditado. derrubo muros em vogais, parto vidros em adjectivos, fodo fronteiras em frases, engravido o mundo em pensamentos. movimentos apenas de doidos pensamentos em alma que não se comprime neste corpo que me prende, amordaça e limita. não e não em apenas não caber em mim, não e não em não caber apenas neste dar constante de movimentos ao sabor dos ventos despenteados da alma.

Sábado, Junho 04, 2005

lavado

acordei sem sono no repente de me erguer com força e refastelei a pele no correr sem parar de chuveiro ao trambolhão. hora que parou no molhado à força toda de filmes e teatros que a alma ia encontrando, parado apenas em leves movimentos de pescoço no volta e meia enchendo a boca de àgua até transbordar. rabisquei coisas e mais coisas em esquissos de memórias, memorizei frases molhadas, pensamentos húmidos no escorregar do gel de banho. escutei cada som no mais puro acorde de vontades expressadas, sentidas no ápice da memória. fiz bolas de sabão em leves sopros despenteados, desnorteados de qualquer complexo em rewinds da mais ínfima argolada, fui até ao fundo em casco que cismei em raspar, escarafunchar no remexer constante dos esguichos que não paravam de me massajar cada pedaço de história, cada pedaço do corpo em alma lavada, rejuvenescida na vontade de escrever sem parar em jacto no repente dos jactos em líquido ás esguichadelas nos repuxos da alma.