sou louco
apetece-me esticar o braço com dedo em punho e furar as nuvens no desafiar dos trovões e tocar o céu. apetece-me gritar alto no esperguiçar com força, mexer na lua, queimar no sol e da noite fazer dia. apetece-me saltar no voar feito um louco em planar tipo uma pedra do catrapum ao segundo. corro de peito aberto sem papas na língua em dedos que saltitam na linguagem do momento. qwerty que seja na extensão do pensamento mas fico fodido no tropeção da mente. engasgos sem soluços em apenas gritar feito um louco no tresloucado ápice do esticar feito um idiota de prosas ao repelão. detesto títulos nos rótulos da vida, prefiro os rótulos nos títulos da hora ao segundo que saboreio. apetece-me esticar o dedo e tocar o céu nos desenhos de indicador na ardósia azul rabiscada por unha de verdade sem tretas nem ameaças de furacão. detesto guarda chuvas de tecidos impermeáveis, prefiro os arames da tremideira ao som dos rufos de tambor. grito que me farto no rouco que me transformo, tosse de verdade no cuspir para longe verdes sucos de mentira. suo quando corro em bica de saudade na vontade que tenho de correr feito um louco de nó em garganta apertado. detesto a gravata de ocasião emparelhada com fato de comunhão, baptizado que seja logo que a àgua seja temperada com o sal de presente sem pensar em tanto senão.

