Segunda-feira, Maio 31, 2004

chiuuu...

chiuuu, faz pouco barulho não fales, não digas nada que eu quero ouvir o grito de guerra, chiuuuu respira baixo, suspende a respiração, que eu quero ouvir o chamamento que vem pelo vento. chiuuu, estás a ouvir? olha, olha é o grito que me chama, é a voz que entoa, são os espíritos a levantar vôo por entre bandeiras ao alto antes mesmo que a tempestade comece. é a vitória em coragem, é o nascer do dia, é esperança em esperanza de viver. batalhas que se cruzam em quimioterapias da vida, leucemias de mau olhado em velocidades galopantes. ébola ou sida em ejaculações da alma, esporra em esporas cravadas na mais pura das almas. chiuuu e ouve o mais lindo dos sentimentos, chiuuu e sente o mais puro dos sorrisos, chiuuuuu e vence o mais alto dos monumentos que eu sigo o vento sem cruzar velas ou puxar retrancas, sigo o apenas o vento porque ele chama por mim.

Domingo, Maio 30, 2004

tb pensei kundera

realmente estranho quando temos o direito de matar o tal veado, coelho, sardinha ou até mesmo uma série de vacas só porque nos parece natural, acaba mesmo por ser um dado adquirido. possa é um direito que nos assiste e até faz parte da mais profunda escritura, estamos afinal de contas no topo da hierarquia mesmo. por isso estamos com toda a vontade do universo para matar com a força toda. mas bastava que um terceiro elo entrasse no jogo e fosse lá para cima, para o topo desse organigrama fantástico que nos orienta. podia mesmo ser um visitante de outro planeta a quem deus tivesse dito: tu reinarás sobre as criaturas de todo o universo e arredores, para que toda a evidência do gênese fosse posta em dúvida. o homem com uma canga ao pescoço atrelado à carroça dum marciano qualquer ou então espalmado numa travessa com umas batatinhas no forno dum visitante do espaço. nessa altura não tenho dúvidas que o homem se lembrava da costeleta de porco que tinha o hábito de cortar no prato. nessa altura, quiçá... pedia desculpas ao porco.

Sábado, Maio 29, 2004

lobo mau vs lobo bom

eu tenho sonhos que jamais me esqueço, sonhos para lembrar e lembrar até nunca mais esquecer. sonhos para relembrar, sonhos que são meus e deles não abdico nem um segundo, são meus e tenho-os bem agarradas aqui na minha mão, a um palmo da alma e a outro do coração. lembro-me da mesa do café e do diálogo que tive faz tempo com um bem mais velho, com as rugas na cara bem vincadas pelo sal do mar, notou-me raiva, rancor mesmo no auge ao limiar duma nova fúria de punhos e dentes cerrados. em tom calmo com o paralelo sempre bem perto das mãos ásperas contou-me a maior história apenas com uma frase, apenas num texto e num ápice. também tenho dois lobos dentro de mim como tu, um é bom e não magoa, vive de sorriso aberto. o outro é de fugir, cheio de raiva, na mais pequena coisa solta a sua ira. mas sabes qual vence? vence aquele que alimento. ao meu neto ontem dei-lhe uma daquelas papas que vende no supermercado, a ti pago-te um paralelo. acordei ao primeiro gole no trago de uma só vez em suspiro enorme, mas deste sonho não abro mão...

Sexta-feira, Maio 28, 2004

jogos da mente

jogo jogos de telepatia, baralho os dados, atiro as cartas, rodopio em roletas. não tenho fronteiras nem limitações, planto sementes ao vento em sulcos de alma bem no horizonte. brinco aos tropas da mente entoando canções de paz em tempestades de alma na busca pela eternidade do desejo. apenas fé, apenas grito, apenas um toque em ti na pestana mais saliente, no olhar mais profundo. apalpo-te a alma e toco-te no fundo. apenas jogamos no jogo da palavra, nos ventos da frase, na tempestade do texto. palavras cruzadas em texto contextualizado, sons que perfuram e dilatam a pálpebra nessa membrana pregueada por relatos de histórias em ti. levanto a mais alta bandeira no ardor do jogo, no calor da tentação mas faço poker e apanho as copas todas na guerilha da mente que rebola no preto quando saiu vermelho na cor do sol que se deita e na lua que já vai alta.

Quinta-feira, Maio 27, 2004

apenas escrevo

apetece-me escrever ainda não sei bem o quê mas apetece-me apenas escrever aqui na sombra da noite. apenas corro tecla a tecla, serpenteio por laços de imagens que me assolam a mente. penso na alma, existo na mente, movo objectos e apenas primo tecla após tecla na certeza do contexto de sangria da alma. quero mandar para aqui uma série de merdas, de tretas, de coisas que estão mesmo aqui na ponta dos dedos e teimam em não sair. aumento o ritmo, como se isso bastasse para poder virar do avesso esta couraça que me amarra e delimita o pensamento. berro alto, escrevo ainda mais rápido em fúria pelo não caber em mim. tento o escorraçar da alma, escrever numa só frase tudo o que em mim teima em ficar. quero o orgasmo, o climax no pensamento. procuro a luz, a equação certa no momento certo, a frase perfeita na ginástica do dez. procuro a exactidão na bolina em cruzeiro de vida. desfolho lembrança após momento mais tênue na viagem pelo limite, rasgo a aventura da vida na procura do jogo das letras de encontro pela frase perfeita.

vim do mar

disseram-me que vim de cegonha mas sempre olhei o mar, sempre o senti a banhar-me a alma, sempre o tive bem perto de mim. serei livre quando nele me dissolver, quando penetrar nas suas entranhas e rebolar até dele fazer parte. porra! eu queria ter vindo de barco, a nado ou apenas a rolar pelas ondas. gosto do cheiro, gosto da maresia que me beija a alma, gosto do salgado no corpo quando a t´shirt empanca no deslize da pele. quero o mar aqui no meu peito, quero sentir-me mar e a ele pertencer. quero o sal a marcar as rugas da memória, quero fazer desenhos na pele seca com o mar que me aperta. vamos, anda, caminha, nada em mares de andança, rebola comigo e faz de mim a tua maré de sonhos. agarra-me com força na crista da onda em bancos de corais, salpica-me a alma de sal, abrilhanta-me o destino e mexe que remexe comigo ao sabor da tua glória. quero-te perto na imensidão do abraço, sempre te tive, sempre te olhei, sempre te mergulhei e é em ti que quero rebolar no perto do mergulho.

também direito

até podia ter batido a enorme punheta com orgasmos de frases já feitas. o tal amontoado de palavras que tudo junto dava-me um enorme tesão. mas não, acabei mesmo por esfregar o ganso apenas para despejar os enormes colhões. tinha data e hora marcada, fiz questão que assim fosse com data de exercitar o braço direito, sou destro mas de ideias fixas. foi mesmo na sagacidade da evolução da data que o ímpeto cresceu na vontade da masturbação. hábil? porque não, até foi bem preciso algum jeito para segurar o membro e atingir o orgasmo perfeito. também perito, perito na precisão e necessidade de volume para segurar bem a piça e poder na verdade desfrutar todo momento solitário mas de imenso prazer. desembaraçado sim mas muito repousado no ritmo imposto, na forma como provoquei toda a excitação e na forma como levei a cabo todo o acto. solidão mas com hora marcada para esse momento de uma guerra sem igual, duma luta desigual de cinco contra apenas um. um bem vivo com duas testemunhas bem mexidas e comprimidas no movimento provocado com o braço direito por sinal.

Quarta-feira, Maio 26, 2004

imagino-te

beijo no pescoço com um apalpão no tutu a chegar-te bem para mim, queria sentir-te... imagino-te. encosto-me bem a ti na procura dos teus labios persigo a tua lingua com a minha enquanto te apalpo os teus seios, enrolo-me em ti e cravas os teus dedos nas minhas costas. beijo-te o pescoço até que os nossos sexos se tocam. imagino-te. beijo-te os seios com as minhas mãos irrequietas a percorrer o teu corpo. imagino-te. toco o teu umbigo em toque até á anca, chego-te mais para mim quando te descubro as nádegas. beijo-te os seios enquanto te apalpo o sexo com leves toques, contorno o teu umbigo com a minha lingua e fico no teu clitoris. imagino-te. toco-te suavemente, sinto-te na minha boca enquanto te preencho com o meu dedo, percorro o teu corpo até os teus lábios até que os nossos sexos se tocam. imagino-te. entro em ti, enterro-o com força, sinto-te quente, húmida e vou até ao fim quando as minhas mãos nas tuas ancas seguram. ritmos cada vez mais fortes e ritmados com as tuas pernas à volta da minha cinta. imagino-te. rodamos até ao limite do palco, seguro-te e cavalgamos até ao principio do fim no início. imagino-te.

Terça-feira, Maio 25, 2004

empata fodas

nem fodes nem sais de cima! até caminho feliz pelas ruas largas e frescas, o mar esse balança sempre ao meu lado, com a brisa e paz que aliviam o meu dia. farto-me de pensar, penso demais, corto, rebobino e zoom, bem ao fundo já vejo o empata fodas, andar cambaleante dirige-se a mim, nu com sua varinha de tudo menos de condão em punho olha-me, o sorriso do animal transparece felicidade, dos olhos salta ódio e eu sou o alvo, não tenho dúvidas. corto, rebobino e zoom, tenho de te ver mais uma vez. estou cansado e vagueio sem destino, as pernas já estão cansadas da procura num frente a frente. foges ao medo e o vento sopra em sorriso que escasseia. corto, rebobino e zoom, tenho de te ver mais uma vez, queria um frente a frente sem tabuleiro, apenas palavras como rei e os olhos seriam bispos nas mãos dos nossos peões. porque te escondes? já estou cansado de tanta procura! sabes onde estaciono... vai lá e risca-me o carro!

Segunda-feira, Maio 24, 2004

falta o coração

persigo com o olhar o relógio enquanto me hipnotizas bem devagar, lentamente. sinto já a cabeça a girar, a viajar pelo teu corpo até acreditar na matéria enquanto apenas êxtase me controla. espero-te no meu barco nas ondas do teu cabelo. alimento o fogo, chego-lhe dos mais puros ramos. ramos de mim em fogo que se transforma quando te toco sem avisar e quando te sinto aqui bem no meu ombro, perto do meu pescoço. é magia e durante a noite vens até mim. experimento o medo sem receio do fogo nas mãos que de mim se apodera, toco o abismo no encalce do relance, anjo de pecado em branco do véu, amo o fel, besunto de óleo as mais belas cores, realço a pedra no sentimento da cruz. cavalgo velas em chamas de te ver nua nos abismos da verdade, procuro a razão e fujo do negro do sonho, amo a verdade na escrita estardaçada pela multidão. persigo o relógio em segundos de fé, conto cada queda de ponteiro, conto cada segundo como se fosse o último. bate forte e ritmado na volta de cada queda do relógio que seguras.

retomo

estou só mas de mente cheia, apenas tempo, apenas espaço para sacar os retratos da alma. o tempo é sempre pouco mas o espaço é enorme. procuro o mar pois em terra já me sinto perdido, mergulho fundo apenas com o impulso da queda, fiquei só no silêncio da noite. o que li acredito, o que vi acredito e toquei, apalpei a alma sonhei alto em gritos de memórias. os meus sonhos estão sempre lá mesmo no tempo, mesmo no espaço em apenas reflexões da minha mente armada em ginasta que me encaro. que me deparo e olho. espelhos de alma, memória que transcende o passado e vai, caminha bem mais para lá. tangentes em diagonais de fantasias tranasportadas para aqui, para o meu ombro. figuras que se movem, caminham e escrevem, suor de sentimentos, transpirar de alma em rituais de gramática. pessoas que tocam mesmo na neblina, mesmo na cor do dia, mesmo na noite mais escura, mesmo nesta manhã de chuva. eu volto, eu estou a voltar em cada segundo que me trespassa, eu retomo porque tenho o fogo, porque tenho a força, eu tenho o poder de seguir o meu curso.

o pós flipflopflup

a vida é feita de surpresas mas não me preocupo, vim para este mundo como uma árvore que anda livremente. podem me rasgar o tronco e cravar sulcos de lâminas frias e temperadas que eu não tenho nada. não preciso de ser amarrado nem tenho necessidade de apenas estar que eu apenas nada tenho e a nada pertenço. não dou guardas ao passado e nem penso guardar a chave, o meu sol nasce bem abaixo do mar e para mim só existe uma manhã, uma manhã eterna. liguem as colunas bem alto e mesmo na valsa eu vou sapatear, pode ser em fado ou em mornas que eu vou sapatear feito um doido. confio no tempo sem precisar de olhar para trás uso o retrovisor da memória e volto para cravar este livro de letras e mais letras. fartei de rótulos e enchi de respostas, cerrei os punhos, cravei os dentes e dei por mim a rebolar no branco dos lençois. almofada que parou no abdómen e banho que retempera forças na volta a este livro em branco.

Domingo, Maio 23, 2004

o fim do flip flop flup

acabou... dei por fim este ciclo, fechou para obras após o embargo da alma. desisti... desisti disto após leitura reflectida em almofada do tempo. lençois de conclusões em colchão de merdas que me encheram o edredon da memória. deixou de ser sonho e deu lugar a pesadelos na lembrança. acabou...

na espera

posso esperar não? sim tenho mesmo que esperar como quem espera pelo comboio que teima em atrasar. até poderia ser o maior culpado e carregar toda a cruz do mundo. carregar o mundo também era indiferente, carregava e ponto final. apenas espero o sinal, o sinal perfeito na espera perfeita enquadrado com a marca tatuada na minha alma. marca permanente, sempre presente que testemunha a minha fraqueza, a minha força. faço do mindinho o braço de conan assim como da fraqueza a força de elefante. não tem mal nenhum em tentar ser um fortalhaço do caralho, não tem mal nenhum, mas desgasta na espera. mas espero, espero o sinal perfeito. estratega? predador? tou-me a cagar para isso, apenas espero o momento de força maior, o sinal perfeito para desferir o golpe, para investir forte com a pancada certa e ritmada.

Sábado, Maio 22, 2004

já não choro mais

ainda me seco com um achtim pelo meio mas relembro um olhar por entre as árvores, visões cruzadas entre sombras de ritmos musicais embalados pelo sonho. por entre as árvores sigo o teu olhar. quero a maresia no pensamento mas serpenteio por entre as árvores. dá-me luz e uma reflex para jamais esquecer o momento. é digital os algarismos do tempo, já esqueci os ponteiros e o relógio de cuco, é em lcd sem pesos de pulso, não uso algemas de histórias, detesto pesos nos membros já me basta os que tenho nos ombros. achtimm... persigo o olhar por entre as árvores, sombras em sol bem no alto e horas que teimavam em passar. vinte horas, vinte e uma e nada. espera sentado em visões amarradas pelo tempo de noite já estragada. aachtimm... thanks for the good night. tatuagens em troncos com canivete bem afiado apenas de trovões e relâmpagos. acthimm de lcd que saltita números e mais números sem parar. saudade em olhar por entre árvores, saudade feiticeira em tempo que não volta para trás. gravações estranhas em tempo de rock and roll, heavy metal em terraços de mim quando olho as estrelas e marco a polar. dois olhares por entre as árvores sempre em busca do mar, procuro a onda, anseio os olhos no toque do fim... achtim e mergulho com fato já quente do sol já em mim.

Sexta-feira, Maio 21, 2004

era estrela polar

era mesmo e morreu na hora que não senti o vento. gosto do cabelo ao vento, dos beijos que ele me dá a cada volta de pescoço, gosto da lealdade do sopro sem tretas nem nada. apenas vento tal e qual como ele é. faço parte daquele lado do mundo em que a paz vence e o amor transborda felicidade. sou livre em pensamento com os cabelos ao vento e paz no coração. sigo a estrela, a polar que é ponteiro fiel, acredito no homem que já existiu faz tempo, acredito no caminho da esperança a passar por mim. chega de tempestades que vem aí a bonança. acredito no homem, acredito nele. podem-lhe colocar rótulos sem fim, chamar nomes sem senão. estou-me nas tintas acredito nele quando o vento lhe sinto e murmura para mim a cada sopro de verdade. chega de tretas que eu estou mesmo ao lado dele, no homem que acredito faz tempo e existe desde que me lembro. gosto de ti pá, sopras-me com razão, escuto na perfeição e por ti anseio ao virar de cada esquina. enches-me o peito de ar no sopro da fé.

Quinta-feira, Maio 20, 2004

entre hífens

beijo-te falo-te apalpo-te trinco-te mordo-te ajoelho-te quero-te sinto-te passo-te abraço-te lambo-te gemo-te lambuzo-te adoro-te toco-te delicio-te chupo-te roço-te fodo-te entro-te surfo-te almoço-te saio-te salto-te deito-te acho-te tapo-te levanto-te sento-te rolo-te embrulho-te lancho-te aperto-te amo-te visto-te baixo-te agarro-te lanço-te corto-te perco-te fujo-te encolho-te apareço-te rodopio-te pego-te mastigo-te salivo-te janto-te telefono-te introduzo-te transpiro-te rebolo-te esporro-te gosto-te pisco-te mico-te como-te conduzo-te viro-te caputo-te leio-te despenteio-te torço-te dispo-te penteio-te fotografo-te bolino-te pinto-te sinto-te mordisco-te palito-te arrepio-te ultrapasso-te cavalgo-te monto-te enrolo-te encontro-te destapo-te viajo-te imagino-te emolduro-te sonho-te rego-te formato-te cresço-te dobro-te planto-te revelo-te mostro-te escrevo-te elevo-te ceio-te carrego-te desformato-te olho-te admiro-te mato-te penetro-te acaricio-te masturbo-te jogo-te bebo-te passo-te saboreio-te navego-te inclino-te seguro-te forço-te encosto-te enterro-te suo-te

Quarta-feira, Maio 19, 2004

3 2 1 go!

apenas escrevo enquanto a roda se farta de girar, escrevo que me farto e depois reparto o que aqui fica bem escondido e o que parte, o que deixo partir, o que abro as mãos e solto, deixo voar por aqui, por entre fios e antenas num emaranhado enorme de ligações. piso o palco desta treta toda por isso acendam as luzes, disparem o som que eu vou metralhar feito um doido. não passei pelo camarim, vim mesmo sem pó de arroz, cá estou nu e liberto de preconceitos para foder com as teclas todas no premir de cada gatilho. sou tesão e apetece-me foder isto tudo, agarrar com raiva aqui esta merda toda e atirar pela janela, não quero aplausos nem histerias na plateia, quero isso sim partir os vidros e as vidraças da alma, romper fronteiras e rasgar o preconceito. que se fodam as etiquetas, boas maneiras, a simpatia e tudo o que me possa intimidar o pensamento, quero paz e amor, quero mundo sem regra e puta que pariu para isto, quero lamber-te a cona e foder-te com tesão. quero-te de gatas e enterrar-te bem fundo enquanto te dou palmadas nesse rabo, quero foder-te com tudo, quero foder-te toda.

Terça-feira, Maio 18, 2004

tempero o aço

não foi fácil mas também nada é fácil mesmo, tomei a decisão e estou de malas feitas, fechei tudo e nem a roupa dobrei. saltei aos pulos em cima dela. fiz a mala em aperto de decisão, em poker de cartas salteadas sem figuras de reino, apenas números em indecisão de negros em coração. tá feito! as cartas voaram mal as costas virei, estou no ir, tracei de novo o meu destino sem mapas nem autoroute´s, sigo o instinto animal que em mim existe, sigo o coração movido pela alma em vapor de guerra. estou vermelho em veias de pulsos em punho. força que me impulsiona para fora em rodopios de andança, destino que eu marco, traço com a raiva que os cantos da fé me molham. banho-me na espuma da ira e seco os cantos dos lábios. espero vingança, anseio dias em correria, malho as vontades com maço de ferreiro, tempero o aço da minha revolta. visto a mais amarga armadura!

Segunda-feira, Maio 17, 2004

numa varanda qualquer.

fechei os olhos e sonhei, nem precisava mas fiz questão de estar mesmo com os olhos fechados e pousados numa varanda qualquer. virei atleta em recordação das mais felizes jogadas em estádio vazio mas repleto de ilusão. matei saudades que não tinha em dribles de emoção, remates em pontapés na lua ainda com as redes em balanço constante. imaginei claques de fantasia em gritos de euforia quando cada palavra dizia. gritei alto, gritei aos deuses e fiz do poema um travesti de liberdade. fiz strip tease, despi a alma sem correntes de ar por perto. fechei janelas e portas, calafetei frinchas do entreaberto em previsões de inundações por perto. furacões em cismos de movimento, abertura por dentro de beijos em sussurro. porta fechada, blackout em estádio trancado, sonhos de bancadas vazias, superiores às moscas, repouso de holofotes em olhos projectados para lá das estrelas, para lá de mim, para lá do sonho agora já fechados e apenas em repouso numa varanda qualquer.

Domingo, Maio 16, 2004

after gregorio´s time

naa, nem penses! não vale a pena, não faças assim, não vale mesmo a pena, escusas de pensar que eu sou apenas teu. naaa, nem penses que sou fácil demais e não me pareces capaz de tomar conta do que já possuis. naaa, nem penses, o sorriso ficou quando me pediste para te deixar em paz e disseste para ir, não fui, ainda cá moro e por cá ando com o mesmo carrego de sempre. naaa, nem penses, sou moreno e filho do mar, vivo com as ondas e ao sabor da maré. naaa, nem penses, deixa-me em paz e em paz comigo, baza! dá cordinha aos vitorinos e dá de frosques. naaa, nem penses que sou assim tão caro ou algum top model, apenas naa, nem penses!

Sábado, Maio 15, 2004

grande mócaa!

sequei ao sol. a onda não aparecia e adormeci ao sol. adoro a areia e o cheiro a mar. adormeci ao sol em onda que teimava em não aparecer. em tempos vivi na ilusão que bastaria ser homem para ter tudo que precisava, bastava-me isso e nada mais. apenas homem e tudo teria. a visão de super-homem já voou com a capa, apenas com ela porque mais nada restou. precisei de juntar a delicadeza da mulher, os olhos de falcão, a velocidade da chita, a astúcia da raposa, a agilidade do macaco, a força do elefante, a audição dos morcegos e a onda apareceu. hey, acorda pá, grande pico, ora topa! tsss era aquilo mesmo em rasgos de saudade. apenas salgado, apenas de calções com menina na toalha em bronze de carnaval. sem gravata mas com gelo nos olhos, desci feito um louco, remei feito um maluco até o sol se despedir da ilusão de que bastaria ser homem na lua que espreitei.

Sexta-feira, Maio 14, 2004

será que respondes?

perguntas e mais perguntas num imenso termo de apenas perguntas. três dois um zero e partida para mais uma série de perguntas que não passam mesmo disso, de apenas perguntas em que as respostas surgem em catadupa ou não, evasivas ou não mas prefiro as espontâneas de razão. que podes dizer? que sentes? onde andas? experiência, vá lá apenas uma? o que não vês? o que não sentes? onde é o limite? onde se esconde a frustação? morde os lábios e diz-me o sabor que fica? nem foram assim tantas, foram apenas algumas que a resposta urge em castelos de areia duros como betão quando elas são verdadeiras. apenas três palavras para cada pergunta, não preciso de mais nem menos apenas formato de frase para engastar, emoldurar em tecido do meu raciocínio.

luis sem represas

há por aí tanta gente como eu e como tu que sabe que não estamos sós de uma esquina sai sempre uma outra rua quase sempre cheia de gente que sente como eu que vive muda nas palavras como tu que já não quer sentir mais nada se ficares algum tempo junto da janela hás-de ver que quem passa tem sempre um recado ouve-me bem que há momentos em que parece que tu vives num deserto olha-me bem dentro dos meus olhos podes encontrar quem sabe um coração que bate mais certo com o teu e com o de todo o mundo pois se há só uma batida para nos guiar nós vamos lá chegar há sempre mais do que uma restea de luz para quem não passa da mesma verdade como tu a porta está ali ao lado da vontade de querer seguir em frente como nós estamos na mesma viagem sem regresso não saímos nas paragens nem sabemos os caminhos que nos esperam nem que pontes é que vão cobrar portagem

Quinta-feira, Maio 13, 2004

splash e mergulho!

tremo de calor em pingas de suor frio, splash e mergulho no reino da ilusão em apenas lago, água parada, estagnada que faz espelho no momento do salto. dúvidas no voo que desaparecem quando trespasso a fronteira. splash e tudo se apagou, incertezas desordenadas apenas orientadas pelo entusiasmo do mergulho. chiuuu silêncio em gravidade zero, deixo-me ir pela força do ímpulso, pensamentos que fazem o perfeito pause em nervoso pelo toque do play, insisto no pause em tempo que quebra a confiança do mergulho. hora que pára e teima em andar, carrego play e o teu corpo beijo no mergulho do ápice, sereia que se enrola no meu corpo em feitiços do canto. tesão e ardor em cada toque cercados pelos membros em doce perfeição do macio dos corpos. as tuas mamas beijo em auréola de volúpia, mordisco o mamilo com lábios em segmento de vermelho que nos envolve, a minha língua conquistas na descoberta do teu umbigo... play com força e a superfície me chama, gravidade zero em tona de prazer, ar que se esgota em pulmões a arder, estalinhos nos ouvidos e... olha o sol, o lago e a rocha donde saltei!

Quarta-feira, Maio 12, 2004

estrias do tempo

sou todo olhos, visão. só olhos mesmo e num enorme olho me transformei. quero ver tudo em macro de decisão. observo cada movimento em rodopios que condenam ao fracasso, driblo a indecisão e busco a perfeição no alcance mais perto. sou olho, sou visão sem pestenejar, sem perder um segundo, quero agarrar o momento aqui na retina e quero a revelação em instantâneo sem luz negra ou tinas de composto. olho que julga a cada impulso em objectividade de prazer na delícia do momento. olho que não acaba, inesgotável sem dúvida na relexão, textura que o tacto desafia mas cores que me inundam, espelho que em olho me olha sem remorsos na reflexão de dúvidas, na visão das palavras na voz do pensamento. cicatrizes que me rasgam e desfolham a alma, texturas mais ácidas que o meu olho queima quando fixo o olhar e tento ver mais fundo. cicatrizes como guia na retina do olho. sou todo olho, enorme num só olho em apenas olhar e observar o tempo na estrias da história.

...da caneta voadora.

Traço rostos e respirações com canetas amarrotadas. Os dedos, as mãos, os braços, tudo se move sozinho, comandado por uma força estranha, transparente, quase palpável. Desenho vidas, um risco é uma volta, um acento é um avanço, uma linha é mais um sorriso, duas uma interacção. Nem sei como isto acontece, a realidade parece diferente, olho e vejo outras coisas, penumbras, clareiras, cheiros, casas, pálpebras. Pequenos e grandes, novos e velhos, animais e humanos que se enchem de ar, animados pelo carvão, pela tinta, pelos pincéis do teclado. Só os calos denunciam o trabalho, porque quando acordo, nem sei ao certo se fui mesmo eu que escrevi estas palavras. Agora, usam-se computadores, antes eram caixas de cereais. Na parte de trás, onde não havia bonecos, claro.

- a prenda da caneta voadora para mim

Terça-feira, Maio 11, 2004

quero uma 16:9

em noite, escuro, apenas noite em assilimilação de vida, em sonho no reino do infinito aqui bem deste lado, ao meu lado e aqui pertinho do meu lado intrínseco. meandros escuros perdidos em fragmentos da mente, da alma. jardim em labirintos, ruelas emaranhadas em calabouço de pensamentos. lanterna que procuro, isqueiro que gasto, velas que acabo em cera no chão e que me queima e aquece o mais escondido pensamento. quero um guia uma razão qualquer para a busca incessante. quero a amnésia ao rubro que me ligue em forma efusiva ao consciente, quero luz na escuridão do sonho, quero uma 16:9 em imagem plana. quero agarrar com força o escuro, quero a fantasia ilimitada em tanta coisa que não encontro lá para o meio. quero o sussurro num grito a voar alto e uma face sem nome, mas quero algo a que me possa agarrar bem forte e com toda a força do mundo nesse momento escuro, nesse sonho.

Segunda-feira, Maio 10, 2004

psico e zás

ainda agora começou e ainda nada terminou, o tempo ensinou a vida. psico e abro os olhos enquanto passo as minhas mãos pela tua pele macia. abraço com os olhos todas as noções e pensamentos, apalpo-te com força e cada beijo solto na procura dos teus lábios. psico e click em cada toque do momento, mãos que não chegam, corpo que me enrola e zás a tua nuca beijo enquanto mais enorme me sinto. percorro as tuas costas com os meus lábios humedecidos em leves toques de anca. yesss e mordo-te as nádegas, aaahhh em psico. enigma da razão na própria realidade que em nada penso, apenas enrolado no teu corpo, suores que se misturam, hálitos que se confundem, psico e yesss em ti entro contigo deitada de costas para mim, hummm gemidos de prazer com o meu peito bem encostado nas tuas costas. desvio a procura em relance casual das imagens que me assolam. psico e vai e vem constante de emoções ao rubro em caminhada por ainda nada ter começado.

gosto de santana

"quando toco uma nota - se o fizer corretamente - sou tão importante como o jimi hendrix, eric clapton ou outro músico qualquer porque atinjo a alma da pessoa que me ouve. as pessoas costumam perguntar: 'que tipo de guitarra é essa? que tipo de alto falante é esse?' não tem a ver com isso, tem a ver com a nota. quando se explica isto a miudos, eles perguntam: 'também posso fazê-lo, também consigo?'. claro que podem, apenas temos de ensinar como colocar cinco idéias numa nota: alma, coração, mente, corpo e 'cojones'. uma nota."

...do Pensamentos Soltos.

Por vezes as palavras voam directamente para a ponta dos nossos dedos... olhamos para algo ou alguém e surgem-nos imensas ideias, pensamentos, fantasias... Ao olhar para o teu pedido; Ricardo, de que escrevesse algo para o teu blog, admito: fiquei sem palavras! O que escrever a alguém que consegue transmitir tanto através da escrita? Tarefa bem complicada esta! Resolvi repetir um "exercício" que fiz há alguns meses, mas desta feita tendo em mente o Ricardo:
Amigo sorriso optimismo inteligência palavras envolventes imagens perfeitas sensações indescritíveis momentos impecáveis impressões indizíveis sensibilidade expressa rapaz cativante...

- a prenda do Pensamentos Soltos para mim

Domingo, Maio 09, 2004

shalon yehoshuah

um beijo yehoshuah! ainda era cedo para isso... foda-se deixem-se de merdas e shalon em paz, deixem-se de orgulhos tão velhos. círculo vicioso de intifada usada como máscara em teatros de paz, soldados de alá em ordens de olho-por-olho que acabam mesmo é por deixar todos cegos. negociações de paz que terminam no minuto seguinte em banhos de sangue e quedas de anjos, enfim discursos ao vento que ouço faz tempo. foda-se deixem-se de merdas e marquem com vontade e certeza o que alguêm já disse faz tempo "a paz que hoje nasceu dá a todos nós a esperança de que as crianças há pouco concebidas, nunca conhecerão a guerra entre nós e suas mães não conhecerão a tristeza, permitam-me encerrar com estas singelas palavras: SHALOM, SALAAM, PAZ!”

- shalom - olá, em hebraico
- salaam - saudação oriental, inclinação do corpo para frente com a mão direita na testa
- paz: é só contrário da guerra que fazemos

...do Escrever Por Escrever.

Os caminhos são paralelas que se cruzam
Bifurcações
Entrecruzamentos
Destino
Chance
Fatalismo
Livre-arbítrio
Determinismo
Acaso
Campos
Montanhas
Curvas
Retas
Em Belém do Pará.

- a prenda do Escrever por Escrever para mim.

Sexta-feira, Maio 07, 2004

a carta

continuas linda em suave de beleza escondida atrás dessa cortina de suspense. pensamentos que me rasgam em tgv´s de memória, velocidades estonteantes em suporte de destino moldados apenas por mãos de artesão. juro bandeira perfilado em cortes do real momento que atravesso. respiro lento ao sabor do tempo, honra que não se permitiu contrariar e apenas confinado a desejos furtivos com sentimentos de culpa. continuas bela em doce imagem de branco translucido, continuas linda e apenas guardada no envelope da saudade. caneta que se gasta por cada risco que rasgo o branco que nela pousa. manténs a beleza, branca e indelével ainda sem destino, sem hora de fecho. continuas bela e ainda aberta sem o beijar da minha língua, prosa que aumenta ao passar do tempo, folha que cresce em enxertos de memória. despenteio a alma em embaraços da vida, semeio ventos em brancas de pensamento, respiro lento embalado pelo momento. continuas linda em doce repouso aglutinando recados da vida, absorvendo cada gota do suor da alma, continuas aberta para mim, linda.

Quinta-feira, Maio 06, 2004

a minha marca

- o traço da letra pé é indício de uma idéia
- um movimento da letra configura uma forma
- o vermelho e o negro. frágil ou forte, a estrutura tem a mesma medula
- a dinâmica da forma gera a imagem
- a percepção da imagem projecta o espectáculo

em frases de emilie chamie despertei o ovo ainda na casca, pena não ser azul mas já penso nisso, em pintá-lo...

1+1=vertigem

começo em mim e dentro de mim forço o desconhecido na medida em que me afogo. afundo e deixo-me cair em vertigem azul, apneia em delírio de esqueço em não pensar apenas. momentos em frio, momentos que congelo no mais profundo iceberg sem dúvidas no rastejar do medo. existência ao rubro | espiral de ânsia | muro de maio | velocidade estonteante | saltos do constante | fados de prorrogativa | imersão de vontades | danças de vogais | momento de momentos | toques de magia. palavras apenas em comutativas da razão, solto o leão depois da espera e faço o cerco em procissão de fé, espero milagre em comunhão de bem. viro soldado da paz e o fogo apago em pipelines de morte. tempo que passa e me arrasta por custos de guerras que não as minhas. mergulho fundo em reflexão severa do medo se perder. negro se transforma o azul, vertigem negra, espiral de vontade nas danças de vogal deste momento de momentos.

Quarta-feira, Maio 05, 2004

http://www.realdoll.com

deita-se fora as insufláveis? bonecas de encher para quê se agora temos as realdolls. fantástico, sete mil dolares e temos uma que nunca dói a cabeça. tá bem que esta não nos esfrega as costas, nem lava a louça mas cabe sentadinha numa cadeira e lá fica caladinha sem chatear nenhum santo quanto mais um homem. as mulheres que se cuidem que as realdoll chegaram. feita de silicone, tem durabilidade de 2 anos completamente regulável e além do mais fica húmida. tem as três mais vulgares entradas, possibilidade de trocar a cabeça, sempre se varia um pouco a paisagem e pode-se escolher a altura e o peso em sete tamanhos disponíveis, as medidas das ancas, peito é a pedido assim como a cor da pele, dos olhos e cabelo ou dos pelos púbicos que podem ser até rapados, o tamanho da unhas e até a côr do baton... enfim é só vantagens. é só não(s) mesmo já que não reclama, não existem aqueles dias do mês, não engravida, não vê telenovelas nem se chateia com o zapping constante, não compra roupas nem sapatos, não tem mãe o que é uma mais valia, não vai ao salão de beleza foder-nos os euros, não pede para nos acompanhar na cerveja com os amigos, não engorda nem envelhece e não nos gama o visa... enfim realdolls.

Terça-feira, Maio 04, 2004

...da tinta permanente.

o homem. na sua essência, no seu paradigma, na sua alma. sem palavras a mais ou a menos. temo que a mulher roube todas as letras ao homem. ele, não fala de si. fala dela, que ele ama. e ele? não precisa ser apenas um homem, despido de tudo e de todos também? ele consigo mesmo, na sua fé, no ardor do seu coração. com convicções, com dúvidas, com medos e esperanças.
de mim para ele, homem.

- a prenda do tinta permanente para mim

caneta em cordel

peguei numa caneta e percorri uma linha, fui da primeira página à última sem levantar a caneta. galopante, a correr mas corri de fio a pavio, sem parar, segui a linha num ápice. passei o sol e percorri a lua numa linha sem interrupções, sem paragens, sempre a andar, sempre a zarpar por entre as dobras e o percorrer da página. não parei nem um minuto, estraguei o livro mas tinha de fazer a linha. condução em linha recta, com algumas pausas sem stop nem semáforos, apenas para virar a folha. gostei do desfolhar em equilibrio e com toques de malabarista, adorei o livro com o traço em azul da minha bic já roída. a ideia era dedicatória para oferecer, acabou por ficar para mim com o meu risco azul de fio a pavio em condução com a história em ritmo de morte. traço contínuo e liso sem altos nem baixos, apenas traço, apenas linha, apenas cordel para não me perder do ponto de partida. apenas arranque com o fim anunciado em pronúncio de fim.

Segunda-feira, Maio 03, 2004

prendasdemim

seriafácilagradecercomumtextodevoltaatodosvocêssimvoçêsquemeenviaram coisasdevóscoisasdedentrodevósenuncioumaumnumápicequasequenemrespiro masenunciocomvontadeequereresemprecomumaenormegratidãoevontadede vostersempreporpetoàdistânciaquidocliquelerosvossostextoséeserásempreum enormeprazerporissobabylóniademimparatijardimdepoesiaferohormonas pedaçosdemimviajarnamaionesefragilidadessimplesmentepalavrasspotme oardilosomundodossonhosinbluehorasnegrastounotopcoisasporreiras incomensuráveljardimdesonhoslitteratussatorierotismonacidadeu2only pensamentosdumafreakinezinhaomeugrandeeenormeobrigadamasaideia aindanãomorreumasapenasquisdesdejáregistaraquieagoranumápiceesem respiraromeusingeloagradecimentoejácaminhoparaoverdadeiro agradecimentoessesimàalturadasvossasprendasporissocontinuamos arespiraralgomaisquesaudadeoureembolsopoisostextoscrescemeem brevesurgirãoporaquiespalhadosdedicadosessesimàravequeemmar vamosdançarbeijosmuitosbeijosmesmoparaosgaijostambémvosbeijo.

olhar o mar

eu só quero olhar o mar e apenas cantarolar aqui no meu canto. pode chover ou até vir uma ventania enorme que eu vou planar, venha o suor de deus ou até mesmo o sopro de jupiter que me estou a cagar. eu apenas quero olhar o mar. que se foda que eu vou gritar bem alto aqui do meu canto. lembro um lugar e perco-me no olhar, sonho no semear de canções ao vento, procuro ritmos de embalar. falo baixo, segredo ao ouvido e percorro caminhos de mudança. conto histórias, falo de mim, percorro linhas e saltito letras. falo da vida, da minha vida em ventos de além, rebobino e torno a dar. esvazio a alma em regeneração de poder, grito alto e apenas quero olhar o mar. onda que se abate e cresce em ritmo constante. voz que se apaga e cresce no que falta sonhar. falo da vida, não como ela foi, não como ela será, apenas sorri que é o que falta para embalar o meu olhar. eu afinal de contas só quero olhar o mar e apenas cantarolar aqui no meu canto. nas horas escuras que venha a cumplicidade de qualquer loucura, das claras já as tenho bem no ombro amigo e é o tudo ou nada em que se decide na hora. grito alto em silêncios do momento, argumentos que se esgotam em horas já passadas a olhar o mar.

Domingo, Maio 02, 2004

em plantado

sentado numa praça qualquer que quase que jurava que nunca lá tinha estado. quase mesmo. os pássaros eram iguais, até o banco, as flores, o cheiro. tudo era igual e tudo me parecia já ter visto. deja vu ou não, não faço ideia mas sonhei acordado, abracei a tal árvore onde em tempos a estradacei com o canivete que tinha roubado ao meu pai. o nome não era meu, nem o coração da árvore, era só eu e a árvore com beijos a esvoaçar por entre enlaces de pássaros. quando não tinha nada queria tudo e quando tudo era ausência apenas esperava. quando tive frio tremia mas quando tive coragem acabei por ligar. não sei se foi o acaso que quis jogar comigo ou se foi mesmo o cruzar de ironias da vida. quando? pressentimentos do meu olhar a brilhar na emoção da escuridão. os pássaros esses cantavam ao meu ritmo em lembranças do teu vulto que... nem sei! plágio na voz, sozinho e distante. torre de babel que me afasta do carinho sedutor em azul sem fim deste espaço plantado.

Sábado, Maio 01, 2004

em tatuagem

tatuei o dia, ficou bem impresso, ficou marcado da forma como o vi, como o senti. o sol caiu pela tarde, morreu. em cores se desfez, escureceu, sumiu. lembrei-me de histórias, de poemas, de livros, de filmes, lembrei-me de mim na visão da primeira estrela. gritei alto, sonhei baixo. falei alto, pensei baixo. apenas sozinho acompanhado comigo, apenas olhar em lua perdida no limite da paisagem. beijei a noite e abracei as estrelas. histórias de desejos em contos de encantar que acabou em praias desertas, apenas o mar beija a areia e nada mais se transfigura senão eu. quero a lua, quero o mar, quero rebolar na areia. é pena, é mar, é sol, é lua, é apenas luz que se acende e me molda a alma. recuo no tempo e avanço feito um louco na recta da meta. acelero a fundo sem receio da curva que cai em abismo. mergulho na sedução, pisco-me os olhos e perfuro a alma. repouso no nariz com o indicador a contornar os lábios...