Sexta-feira, Abril 30, 2004

faço ão ão

queria um cão para poder deixar a solidão, podia ser camaleão e viver no japão, ser até mesmo o bicho papão. mas não, sou apenas um murcão qualquer que volta e meia vira explosão. também ladro tipo ão ão para assustar a multidão, mas sou da familia do tal cão que faz ão ão só que magoar é que não. podia ser um fodão do caralhão e ter um enorme colhão, mas acabei mesmo por dizer não e apenas fiquei pelo ão ão. é tudo muito ão quando se trata de solidão, é mesmo do tipo camião em estrada de alcatrão com apenas um senão, apenas eu e o meu não!

foda-se para isto!

foda-se, sim foda-se para isto! quero foder, apetece-me mesmo dar asas aqui ao meu caralho e foder feito um louco! estou enorme, excitado demais para conseguir parar de me apalpar. foda-se, foda-se para isto! volta e meia já fecho os olhos e imagino-me a entrar e sair com tudo, sim com tudo e apetece-me mesmo foder feito um louco. foder e ser fodido, ser cavalgado e cavalgar. foda-se estou excitado demais para resistir a uma boa punheta. acho que vou para o chuveiro e esfregar bem aqui o moço, foda-se quero foder! tá mal, isto tá mal feito, foda-se para isto que não consigo desviar o pensamento, testicocéfalo de merda, neurónio que me liga aos colhões. só vejo lábios, mamas, cona, merda para isto! pensamento carnal que não descola. foda-se quero foder e vou foder-me como um louco! merda para isto e lá vou eu a correr para o chuveiro...

bookcrossing´s

uma ideia simples que pelos vistos tem surtido algum efeito: um livro usado, lido, manuseado e maltratado, que é libertado por alguém num lugar qualquer. numa biblioteca, numa paragem de autocarro, num restaurante, até no jardim da esquina. a ideia tem como pedra base o site bookcrossing, um projecto que tem como objectivo simples e não lucrativo transformar o mundo inteiro numa biblioteca, com os livros que já lemos e que ganham pó nas prateleiras lá de casa. basta colar uma etiqueta e dar asas às páginas da obra. força aí com bookcrossing´s no gás todo, vamos a registar e a esquecer livros por aí...

tons de veludo

palavras apenas duras em garganta de veludo, macia em tons celestiais que embalam a mente mais preversa. veludo em vermelho mas duras como aço em trespasse de camisa de dormir. vida sem freio que me arrasta, que me cega o momento. são segundos de beijos em adeus de momento, ritmo que me ultrapassa em jacto no instante seguinte. ficou eterno e em mundo inteiro tão claro como o sol. apenas escuridão de manto negro de fados em vadio. apenas sol mas amanhã! espero em desespero no acreditar que quem acredita sempre alcança. divisões de sonhos em multiplicações de irmãos de sangue, somas de viver em speed com egoísmos subtraídos. espírito ao vento com mudança de folha em tons de outono, cinzento, anjo cinzento que me guarda bem na lapela da camisa. apenas moscas que se cruzam em sombras do crespúsculo na busca do medo da reunião do momento. percebo o momento, percebo as palavras duras em tons de veludo.

Quinta-feira, Abril 29, 2004

chega!

boa noute e consegui encontrar um cyber. olá estou por aqui e falhei dois picos. lembrei-me da treta de picar um cartão em que caía uma bolinha e dava direito a um chocolate, mediante a cor da bolinha. falhei dois dias, merda para isto e não piquei com post. estou farto! acabou. enchi o saco! que se foda, estou-me nas tintas. desliguei, off! chega de tretas. acabou! em tempos ainda pensei que seria fácil pensar fácil, eu penso fácil. não na base de que é fácil e dá milhões, nada disso. apenas porque é fácil pensar fácil, desculpa mas já não tenho pachorra para tantos malabarismos. acabou! que se lixem os relógios, a têmpera e tudo o mais que possa condicionar o meu estar. eu estou! e sempre estarei de corpo e alma que tanto me apalpa o ímpulso, a têmpera. mas, please, chega de tanto drible em passo doble de tango, sou directo e esta é para ti!

...da Inezinha.

"um texto do alien amarelo =)"

Estava escuro. O relógio marcava as 23 horas. Ele saiu de casa, devagarinho, e encaminhou-se para o sítio do costume. Ia lá todas as noites, sempre que lhe apetecia estar só.
Passados uns minutos, lá estava ele encostado a uma árvore e de cigarro ao canto da boca. Tudo estava silencioso, ouvindo-se apenas o murmúrio da lua, que brilhava imensamente, enchendo todo aquele espaço. Ele fechou os olhos e sentou-se no chão. Esteve assim um bom bocado, até que ouviu passos. Alguém pisava as folhas secas, caídas no chão, e se encaminhava para ali. O som estava cada vez mais perto, até que de repente… parou. Ele, então, abriu os olhos o viu. Viu-a ali mesmo à sua frente. Era bela, envergava um vestido branco como a lua, os cabelos negros caíam-lhe sobre o peito e os pés descalços eram pequeninos e delicados. Ela sorriu e estendeu-lhe a mão direita. Ele, extasiado com a magia que os envolvia, sorriu também e, lentamente, tocou na mão estendida. Ela sentou-se ao lado dele, acariciando-lhe o peito. Suspirou e, em seguida, a sua voz cortou o silêncio: - “Sinto-me só. Sinto-me só e quero… Tu sabes, eu sei que sabes. Sempre soubeste e por isso é que aqui vinhas. Agora segue o teu coração…”.
Ele acariciou-lhe os cabelos, passou-lhe a mão pela face e os seus lábios tocaram os dela. Primeiro ao de leve, depois apaixonadamente. Os seus corpos foram-se juntando, unindo-se num só. Durante alguns minutos, os dois amaram-se profundamente, sem uma palavra. O silêncio falava por eles. Até que o momento desejado chegou, o ponto culminante em que o prazer invade os corpos dos amantes. Deitaram-se, então, lado a lado, de olhos fechados. Quando ele os abriu, ela tinha desaparecido. A lua, lá do alto, parecia sorrir-lhe. Quem seria aquela misteriosa mulher? Apareceu do nada…
Ele encostou-se à árvore e acendeu um cigarro. A lua desapareceu…
- “Fiz amor com ela… Fiz amor com a lua!”
Estava escuro…

- a prenda da Inezzinha para mim

Domingo, Abril 25, 2004

que ventos...

furacão. virei furacão e a tua cona vou comer. apetece-me morder o teu sexo, a tua cona. isso abre as pernas, quero-te lamber o clitóris. sim é isso, quero fazer das tuas pernas o meu agasalho de verão, o meu lenço em volta do pescoço. estou já enorme, consegues sentir? estou como pedra dura, com veias já salientes, apalpo-me, masturbo-me, aperto-me com força e já toco ritmos de tesão. rodopios, espiral de sensações carnais tomam conta de mim. fodo-te com paixão em tomada do leme, ventos que me trespassam e me enrolam nos lençois. rendo-me e quero que me fodas, cavalgas em crinas ao rubro, fodes-me com ardor. anda fode-me, fode-me com força... caralho que me tolhe o pensamento. mãos que me apalpam os colhões enquanto me escondo em ti, mãos de magia que me tocam locais de disjuntores difíceis de desligar. clicks de tesão em arrepios de prazer, locais inóspitos transformados em ritmos de paixão.

...da Pensamentos duma Freak.

"Noite"

Acorda! Abraça o manto negro,
vagueia pelas ruas, observa…
As sombras que se mexem,
o passáro negro que canta!
Grita com toda a força,
que estás só, abandonado.
Chora e deita-te nas cinzas.
Colhe a tua alma sem fogo,
ajuda-a a viver, sobreviver!
Encobre os teus maiores desejos,
com um simples encolher de ombros.
Dança com o exército de estrelas,
pede conselhos á solitária lua!
Deixa a escuridão absorver,
teu lado mais místico,
envolve-te no escuro…
Vive no mundo dos fantasmas,
alimenta-os de visões penetrantes.
Deixa-te ficar no único sítio
onde consegues viver, a noite!

- a prenda da Pensamentos duma Freak para mim

Sábado, Abril 24, 2004

mar revolto

vou gritar bem alto, vou metralhar de rajada, lançar granadas e digo c3 c4 c5 d3 d5 e3 e4 e5 f3 f5 g3 g5 e salpiquei de águas em danças de areia. apenas vogal, apenas a primeira de entre outras que para aqui andam. e1 e2 e3 f1 f3 g1 g2 g3 h1 h3 i1 i1 i3, submarino ao fundo em rajadas de votos, votaram para a rua, sairam em festa com vermelho no peito. f8 f9 f10 g8 g10 h8 h9 h10 i8 i10 j8 j10, bah para tanta evolução, letra que gosto de tão letra minha que é, cresço a cada instante. a10 b10 c10 d10 e10, estou aqui, hey! estás a ver? inteligêngia em democracias, rasga que eu deixo. acabo em a2 b2 c2 d2 e2 e3 e4, esgotei o stock e gritei liberdade.

...do U2Only.

"Sonhos"

Quando o sol se põe
E a lua se ergue
Meus olhos se fecham
Meus sonhos de abrem

Contigo sonho,
Com o futuro sonho.
Sonho que dá vida
Sonho que faz viver

Quando a Lua se põie
E o sol se ergue
Meus sonhos se fecham
Meus olhos se abrem

- a prenda da U2Only para mim

...do Erotismo na Cidade.

Podem prender-se os sonhos?
Ou são os sonhos
que nos prendem a nós?
Já te sonhei antes
Já sonhei estes gestos que
Formo em ti
Já sonhei as palavras de amor
Que dizes agora
Sonhei a mão que toca a minha
E o teu corpo amando o meu.
Prendi-te no meu sonho
Ou sonho acordada?
Ou seremos os dois juntos
Não sonho mas uma
Mas realidade ansiada

- a prenda do Erotismo na Cidade para mim

não e não!

não percebo, sinto-me confuso, já passa da meia noite e eu ainda vejo terra, isto não é normal. já deveria estar a flutuar por um sitio qualquer, assim não vale. não me consigo desligar desta couraça que me amarra. ainda vejo as luzes da cidade com todo o frenesim. porra! em chamas te pego, apenas o zippo mal fechado a queimar isto tudo, a terra vou fazer tremer em rodopios de demônio. hehehe... vou foder isto tudo! zás... virei diabo. virei mauzinho e já só quero a cidade a arder, que se lixe esta merda toda, que se fodam os bancos e hipotecas, os leasings e a conta de telemóvel. quero que voçês se fodam todos. não pago! ouviste bem ó urso da merda, não pago! quero que se fodam as portagens, os sinais e as regras de boa conduta! estou-me a cagar, vou fazer o que me apetecer. quero que se foda isto tudo! estou cheio de tanta imposição e regras de boa conduta. vou virar fora da lei na próxima hora...

Sexta-feira, Abril 23, 2004

epítetos

adjectivando adjectivávamos adjectivo adjectiva adjectivamos adjectivais adjectivaste adjectivou adjectivámos adjectivaram adjectivara adjectivaras adjectivara adjectiváramos adjectiváreis adjectivas adjectivaram adjectivarei adjectivarás adjectivará adjectivardes adjectivaremos adjectivareis adjectivam adjectivarão adjective adjectivei adjectives adjective adjectivemos adjectiveis adjectivaríeis adjectivem adjectivasse adjectivasses adjectivasse adjectivássemos adjectivásseis adjectivassem adjectivar adjectivares adjectivar adjectivarmos adjectivarmos adjectivastes adjectivardes adjectivei adjectivarem adjectivaria adjectivarias adjectivaria adjectivaríamos adjectivariam adjectivava adjectivavas adjectivava adjectiváveis adjectivavam adjectivar adjectivares adjectivar adjectivarem adjectiva adjective adjectivemos adjectivai adjectivem adjectivado.

...da satori.

Facilmente daqui não vou sair
Lindo, que tenho eu pra te dar?
Isto agora, olha o que me foste pedir
Palavras tenho de arranjar

Fácil ou árdua tarefa esta
Lá vou eu ter de inventar
Ora nao seria muito melhor
Pores um post teu pra eu comentar

Fiz o que podia
La-se foi a inspiraçao
Um beijinho muito grande
Pra um amigo do coraçao!

FLIP FLOP FLUP

- a prenda da satori para mim.

...do Litteratus.

"Além do sol que adormece"

Há muitos séculos vi aquele resquício alaranjado de sol morrer na luz indelével do horizonte. Há muitos séculos vi a luz do dia adormecer e não compreendi. A luz deixou seu rastro magnânimo, mas dispensável quando se descobre a imensidão da noite.
‘ E vi os túmulos cinzentos sob as insidias das estrelas.
‘ E vi as lágrimas da moças de branco que voavam pelas ruas.
‘ E vi os morcegos a guinchar...
‘ E pássaros de fogo que pairavam sobre o vento invisível.
Vi os passos ensandecidos do tanto que não deve ser visto, mas intuído. Há muitos séculos a noite não deixa os céus de porcelana, e porcelana é frágil como aquele resquício onírico.
O dia se aproxima.
‘ E vejo o tanto que não compreendia.
‘ E percebo as lágrimas dos anjos que não posso ver.
‘ E as mágoas frágeis das constelações que não posso contar.
Tudo explode na mais bela-cruél tempestade que já avistei.
(...)
Por um momento
Não sei onde estou...
Talvez muito além de onde o sol adormece.

- a prenda do Litteratus para mim.

...do Jardim de Sonhos.

Engraçado como o tempo passa rápido. Não sei na verdade, se isso é engraçado, curioso ou dramático! Não, não quero pensar que seja dramático. As coisas, afinal, têm seu tempo. Nisso sim, eu acredito, que para tudo existe o tempo certo, a hora certa. Só não sei identificar quando é o "certo". Então eu sinto medo... Medo do que me reserva o dia seguinte, medo do que nascerá para mim junto ao sol que se renova todas as manhãs. Mas eu tenho uma única certeza: assim como o dia se renova a cada alvorecer, eu também renovo esperanças. E a esperança é maior que os medos, é mais forte, enfeita a estrada da vida e fortalece a alma. A esperança é a mais bela flor que se pode cultivar no jardim da vida. E temos de regá-la, senão morre... e ao morrer, mata também um pouquinho de nós.

- a prenda da Jardim de Sonhos para mim.

...do Incomensurável.

Vem aí o 25 de Abril e eu adoro festejá-lo, porque é o dia em que a minha namorada faz anos. Nestas ocasiões ela bebe muito e depois deixa-me ir-lhe ao cuzinho e não faz mal porque depois ela já não se lembra de nada no dia a seguir. E tu Ricardo, quando é que a tua namorada faz anos?

- a prenda da Incomensurável para mim.

Quinta-feira, Abril 22, 2004

eu quero ficar acordado, podes dormir, não faz mal. eu quero mesmo é ficar a ouvir o teu respirar. quero tentar ler-te o sonho, quero ver o teu sorriso enquanto dormes. não quero fechar os olhos, tenho medo de adormecer e perder a beleza do momento. quero palitos nos olhos, não os quero fechar e vou conseguir continuar nesta doce renúncia e ficar perdido neste momento. não quero fechar os olhos, não quero adormecer. quero apenas contemplar o doce retrato e sentir o teu coração bater. quero entrar no teu sonho e descobrir se sou eu que encontras. não quero fechar os olhos, não vou adormecer, não quero perder um sorriso no teu sonho, apenas fico aqui a olhar-te.

Quarta-feira, Abril 21, 2004

acabei de luto

pinto de preto e de negro me visto em mistérios do passo. quero anonimatos de desejos em promessas de curiosidade. estou de luto sem permissões de ajuda. estou triste, tenho lágrimas nos meus olhos sem vergonha de chorar. a noite caiu com a curiosidade que o manto desperta. camuflou verdades em proteção da negação, energia que não flui sem renovações de energia. estou triste e em fado canto, dor que doi em xaile de tradição, fado que me arranca e trucida o coração. da morte me lembro e na penumbra me escondo, saudosismo ao alto em vozes do além. encrusilhadas sem farol nem estrela guia por entre cavernas de vida, pintei-me de negro e vesti-me de preto. escureci a alma em rituais do além. brrr que frio me congela o pensamento e me limita o movimento tábuas do meu caixão que me amordaçam e olhos que se fecham em espaço curto, ambíguo em negro de espanto.

...do Coisas Porreiras.

Ricardo pediu-me para lhe escrever
Qualquer coisa para o seu blog
Mas sempre fui mais de desenhar
Ou pintar tipo Van Gogh

Prontos, disse para mim próprio
Lá vou ter que inventar cenas
Mas não costumo escrever para gajos
Para as gajas escrevo às centenas

Tinha pensado em escrever um texto
Sobre o que o blog tinha de mal
Mas depois de várias horas de leitura
Não consegui encontrar nada especial

Então virei-me para as rimas
- O que rima com Flip Flop Flup?
Pensei, pensei e repensei
Só encontrei a palavra "Ketchup"

Por isso decidi em desistir
E ficar por aqui, meu amigo
Excepto escrever textos sobre blogs
De resto, pode contar comigo! :)

- a prenda do Coisas Porreiras para mim.

Terça-feira, Abril 20, 2004

...do TOU NO TOP.

"AMIZADE!"

Pediste-me palavras.
Mas que palavras te enviar?
Gelei, nem consegui balbuciar,
uma única que fosse.
Corei de vergonha.
E agora que faço?
Que vou escrever de novo?
Corei de embaraço.
Não queria ficar mal,
não queria ficar sem ideias.
Mas fez-se luz, e foquei-me,
pensei numa única palavra,
cada vez se tornava mais clara.
Corei de pasmado.
Afinal era tão simples,
afinal taõ verdadeira.
Uma simples palavra,
faria a diferença.
Vou-te falar com felicidade,
dessa palavra tão boa.
A palavra?
AMIZADE!

- a prenda do TOU NO TOP para mim.

grande laranja

cor-de-laranja eu gosto do calor e da laranja que ela desperta, até mesmo do sumo e das pevides. arrisco, salto de cabeça sem elástico, atiro-me feito um doido em busca do que está lá no horizonte. aventura, descoberta, novidades na envolvência da cor laranja. é criação sem medos, é peito cheio em rodopios de toureiro. é onda que se desce com o maior dos buracos. é mel em fel, é adrenalina ao rubro, é liberdade em gritos de indepêndencia. é concentração no abismo do salto. é ir em frente com passo largo e seguro. é punho cerrado em determinação do momento. é disso que o meu povo gosto, é ripa na ripaqueca, é dribles de samba em carnaval de salvador. é curtir, é viver no limite. é cagar para os medos das criticas e viver cada segundo como se fosse o último. é laranja forte em apenas laranja suculenta.

...da Horas Negras.

Diz-me... qual foi a ultima vez que olhaste para mim? Mesmo para mim, dentro dos meus olhos? Ainda conheces as montanhas e vales do meu rosto? Sabes de cor cada poro, cada sulco, cada ruga de expressão? Quando nos tornámos tão distantes? Ainda te lembras do momento em que as nossas vidas começaram a afastar-se, centimetro a centimetro?
Agora resta a lembrança, ainda nem a saudade chegou. Não há saudade do que ainda não se perdeu... No entanto, já há muito tempo que nos perdemos um do outro... os nossos caminhos divagam em sentidos opostos.
Sem mágoa, sem perdão, sem ressentimentos...
Simplesmente adeus.

- a prenda da Horas negras para mim

...do In Blue.

A permanência dos corpos neste lugar
Tão comum como tudo que os cerca,
Tão banal como tudo que os toca.
Apenas isto nos resta?
Esta imensidão de nada, estas fronteiras
Quebradas de... vazio?
E assim permanecem, os corpos sentados
Perante o infinito da janela
Que dá para a parede mais próxima,
Onde o sol já não chega,
Onde a luz é ténue e se esquece de brilhar.
Não se vê para além do prolongamento dos corpos,
Porque a mente ficou aprisionada na trivialidade,
Na irrealidade em que se vive.
Não nos pertencemos nem nos comandamos,
Não nos vemos nem nos amamos.
Nem nos odiamos.
Somos incapazes de sentir.

- a prenda do In Blue... para mim.

...do Mundo dos Sonhos.

O que sinto não é facil de definir, há horas que é uma saudade aguda, outras uma paz que me está a consumir...Contradições é o que posso do amor dizer, nele não ha felicidade plena, mas ela é a flor pronta a colher...
É engraçado ver como nos pode confundir, não conseguimos entender a imensidão de sensações que estamos a sentir. Ás vezes me pergunto onde esta a razão, se no centro do nosso cerebro ou no nosso coração, afinal onde existe amor, a lógica perde o lugar, a emoção ganha com amor!
O amor sempre foi o tema escolhido para se escrever, mas para conseguir tal proeza é necessário o viver, e mesmo aqueles que pela experiência já tiverem passado, sabem que o amor não se escreve, simplesmente é partilhado... E é com este turbilhão de pensamentos que vos vou deixar, e pedir para me definirem o que é para vocês o amor, se alguém o for capaz!

- a prenda d'O Mundos dos Sonhos para mim.

amar(elos)

vou sintonizar, vou ligar a qualquer coisa, vou ficar ágil e de mente afiada. vou colorir de amarelo que me abre caminhos e caminhos em espaços do conhecimento. é ambição, é simpatia, é alegria em espaço de liderança. é fome, desperta o estomago e uma trinca dou no mais delicioso pitéu. tenho fome de tanto amarelo usar, estou irrequieto e com bichinhos carpinteiros. estou em mexericos, estou amarelo de tanta vontade de mexer, comer feito um doido e escrever, escrever em apenas amarelo. solos de jimi page em vozes de mercury, revolto em cd´s na procura da sintonia perfeita, preciso da inspiração do momento. preciso de espalhar o meu amarelo e um enorme sol já pintei, da areia fiz enormes castelos e tudo bem amarelo, amarelo a perder de vista em desertos de mim repletos de ambição, simpatia e alegria ao rubro. encontrei o som perfeito, encontrei amarelo na alma.

Segunda-feira, Abril 19, 2004

...do O ardiloso.

"e a manhã torna-se eclética, 22 - edição flipflopflup"

Ouvir Björk é ouvir outras formas de vida. São sons modulares e orgânicos ao mesmo tempo. A sua música é deveras incomparável, a delicadeza com que nos presenteia a cada segundo. A melodia parece-me de certa forma o nosso corpo, sempre em constante movimento e cheio de vida. De pequenos sons... É bom poder acordar assim;
she touched my arm and smiled
one of these days soon : very soon
love you til then love you til then
feel my breath on your neck
and your h e a r t will race
don't say no to me
you can't say no to me
i won't see you denied
i'm sorry you saw that
i'm sorry he did it
an echo
a stain...
a stain... [...]

- a prenda d'O ardiloso para mim.

...do Spot Me!.

"In Utilidade"

As raízes podres
Que ainda me agarram
À imundíce e nulidade
Desta pervertida terra
Fazem-me ansear
Que as cordas que amarram
Os meus pulsos à sociedade
Cortadas sejam por uma serra.

Os transbordantes odres
De sangue e lágrimas
Que abarrotam os armários
Da minha falhada memória
Aumentam os esgares
De uma cara cada vez mais marcada
Pelos apelos solitários
Que ainda me incitam à glória.

E as eternas e fúteis
Promessas de santidade
Pelos sacerdotes e leigos
Feitas e encomendadas
Esgotam-se como gotas fúteis
Nas sarjetas entupidas da cidade
Onde apenas vagueiam olhares meigos
De crianças a dormir nunca acordadas.

- a prenda do Spot Me! para mim

...da Simplesmente Palavras.

"Continuo à espera"

Vivo assim, na eterna ilusão de que um dia vais voltar, de que um dia vais perceber que afinal precisas de mim ao teu lado. E mesmo que esse dia demore a chegar sabes bem que vou estar à tua espera, que espero por ti até à eternidade.
Cada vez que adormeço sonho com esse dia e nesse sonho quando estou quase a tocar-te, quase a beijar-te acordo e percebo que não passou de um sonho. Mas não me interessa que seja um sonho pois tenho a certeza que se vai tornar realidade.

- a prenda da Simplesmente Palavras para mim

...da fragilidades.

"Encontrar-te ...foi bom."

Encontrar-te, foi como possuir
Todos os azuis.
Como se tivesse um mar e um céu
Dentro de mim.

Encontrar-te, foi como possuir
Todas as cores, todas as flores.
Todas as luzes.
Foi como se o vento e as velas
Trouxessem a calma, a paz,
Que tanto bem fizeram
A minha alma.

Encontrar-te ...
Sentir a tua pele.
Teus doces beijos.
Hum!!. Foi bom!
Só tu sabes escutar
O meu ser.

Agora sonho, vou ao amor...
E no amor, sonho...
Embalo-me em teus braços,
Nos primeiros raios
De uma nova manhã.

Encontrar-te, foi como encontrar-me.
Feliz e saudosa, meu doce amor!
Vens me buscar?
Quando?

- a prenda da fragilidades para mim

...do Viajar na Maionese.

A preciosidade de um segundo
A efemeridade do tempo
O que um não consegue numa vida
Consegue outro num momento.

Tentamos diariamente atravessar os limites da imaginação
Os desafios que espreitam nas esquinas
As etapas que a um alguém darão razão.

São as consequências dos testes que acompanham o passar dos minutos à nossa frente,
são o que resta de transformar em tinta o passado, o futuro e o presente.

- a prenda da Viajar na Maionese para mim

...do pedaços de mim.

Há dias assim
Em que o nada impera os sentidos
O vazio espalha-se intenso e livre
Por espaços e arcadas
Deixando entrar o frio

Há dias assim
Em que nada faz sentido
O amor parece perdido
E os corpos dão-se por vencidos
Numa luta desigual

Nestes dias ... que são assim
Perco-me por veredas e jardins
Procurando uma resposta qualquer
Numa ânsia desmedida
Procuro o impossível

Porque há dias assim
Esqueço-me de quem sou
Desta vida
E parto só e rebelde
Para outro lugar

- a prenda do pedaços de mim para mim

...da ferohormonas.

Texto(sinho) meu... haverá alguém mais belo que eu ??? Sim... o Ricardo... vermelho, quente, cheio de raiva e de olés, de paixões e de luxúria.... Este foi o único ícone revolucionário que encontrei... o vermelho do morango, carnudo, doce, acre, bravo... Qualquer semelhança entre esta imagem e a vida carnal... é pura semelhança, tal como a Branca de Neve, pura, virgem, entre os sete anões ! Espelho meu, espelho meu... haverá alguém mais f****o que eu ?...

- a prenda da ferohormonas para mim

...da de mim para ti.

"De que vale?"

Bateste à porta e não entraste?
Mas deixaste um bilhete no correio..
?O que interessa é o momento??
Puro engano?
De que vale o momento,
Se ele não for suficientemente
marcante para poder pertencer ao Ontem?
E se não for suficientemente
Efémero para que Amanhã,
o procurar de novo?
De que vale abrir as janelas,
Soltar as madeixas
E deixar que o vento as revolva...
Se não puder recordar esse
Momento de entrega?
De que vale sorrir?
Poder-te oferecer um pouco de mim,
Falar-te dos meus medos e receios,
Perguntar-te as guerras que venceste,
E aquelas em que foste vencido?
De que vale saber o teu nome?
Um pouco de ti,
As terras por onde passaste,
Se a vida amanhã ditar
Que deverei esquecer,
O ontem que foi um hoje?
E um amanhã que é um hoje?
Se não fosse por isso?.
De que valeria a vida?
De que valerão as palavras,
Que tão amavelmente deixaste
Na pequena caixa de correio,
da minha porta?

Se elas não puderem persistir,
Para além deste momento?
Sinceramente? Pouco valem?
Agora diz-me tu.
Afinal,
O que valem?

- a prenda da de mim para ti para mim

...do jardim de poesia.

"Bastidores"

São extremamente desagradáveis os caracteres
mudos e disformes aprisionados a garganta
Silêncio amarulento e inquietante.

Arde a boca do estõmago
no engano dos sentidos
Enladeirados desencantam
feito fantasias doiradas
desgastadas e largadas
pelas sarjetas.

Queima o brado amarrado
nas esquadrias paralelas das letras emudecidas
pela poeira das linhas pré-estabelecidas

Debrum
rendas
ornamentam falsas vitrines
estepes alimentadas pelo lobo interior
que não uiva - só observa.

Nem tudo, no entanto, é bastidor
por vezes os caracteres se libertam
do controle da psiquê
aí sim, têem ginga e força

Contagiam, liberam libido
permitindo aos dedos o grito,
o êxtase
Escorrem tal qual sêmem
tingem o papel com cores fortes

Até que se preencha o vazio
das mais diversas interpretações.

- a prenda do jardim de poesia para mim

autoridade perfeita

quero roxo, quero roxo em sabedoria, roxo espiritual. poder e autoridade num roxo perfeito, uno e comigo em traços largos e fortes de roxo, apenas roxo. estátua de braço em balança e o outro em espada, quero justiça, quero autoridade em sabedoria. chiu... eu agora mando e tou de roxo. vá lá deita-te que eu tranquilamente vou-te amarrar em lenços de seda, limitar-te o movimento e limitar-te a visão. vá lá... deita-te que vou-te inundar de prazer no toque e sedução. são apenas cinco leves lenços, quatro para o teu não movimento e o que sobra para te fazer a surpresa do toque e andança. tás linda e á minha mercê. hummm e o teu pescoço percorro com leves beijos e suspiros de alma em teus ouvidos, com as minhas mãos percorro os teus braços até aos pulsos onde os lenços te limitam o movimento. beijo-te o umbigo na ânsia do perfeito e a tua perna esquerda percorro com os meus lábios até ao tornozelo onde a seda te impede de mexer. hummm já te sinto em limite mas não páro de saltitar feito um feiticeiro em ritmos de dança chamando os deuses. sou eu que mando! sou autoridade em roxo perfeito e nas tuas ancas toco com os meus lábios já humedecidos de leves toques no teu sexo.

em esperanza

vou falar do verde como o equilíbrio de todas as cores que acaba entre a frieza da lógica e a efervescência das emoções. a paz em desejo, como vontade e raciocínio, tenho mesmo que pintar isto tudo de verde. é a mais indicada pois junta a razão e emoção da forma mais hábil. com ambiente calmo pinto este espaço e acabo mesmo por imprimir imensa energia ao mesmo tempo, ora fecha os olhos e vê o verde que pintei. longos jardins de apenas relva que só me dá vontade de correr, de correr muito e depois quando cansado já estivesse me atirar para o chão e contemplar o céu com os braços e pernas bem abertos. entregar-me depois do reboliço á segurança do repouso. ficar no verde da paz em apenas equilíbrio. ora vê lá se não... esperança em mim quando o verde toco emocionado de tanta adrenalina na ânsia da espera.

Domingo, Abril 18, 2004

...da baby lónia.

"Apenas ser"

Hoje só me apetecia andar sem rumo
Obedecer à vontade dos passos
Deixar-me guiar por entre braços
Pendurar-me em beijos sem espaços
Pôr as vozes em off, desleixar o aprumo

Hoje só me apetecia vagabundear lembranças
De mochila a rojo, renovar as rotas
Profanar viagens, dormir em palhotas
Percorrer altares de mundo
Comer da vida apenas hóstias

Hoje só me apetecia vida sem queixumes
Destilar no sangue novos perfumes
Apagar o hiato, o absurdo, o inóspito
Recuperar o longe, o aqui, o próximo
Alcançar do chão apenas cumes

Hoje só me apetecia recuperar o essencial
Colar sentimentos picotados
Alisar os amarfanhados
Rescrever o sentido dos fados
Lavar da vida o que me faz mal

Hoje apetecia-me apenas ser
Apenas tanto por fazer

- a prenda da baby lónia para mim

em vermelhos

estou vermelho, estou quente, ai que raiva, anda! dá-me olés com paixões avassaladoras, quente por vínculo em afectividades de lúxuria. profundidade que me trespassa e rasga. calor, dinamismo da mordaça em efervescência de temperamento. força em revolução. agressão colada em bandeiras de liberdade. cravo em evolução de raiva com mar revolto como hino. hastes ao vento em memórias de ícones. procura-se! encontrem que eu deixo, novos ícones revolucionários, procura-se em tons de vermelho! eternidade de afectos em poder feminino da sedução com a força e acção do poder masculino. sangue em quente de veias tresloucadas em derrames de vitalidade, anda! come-me... beija-me na ardência da cor, quero bailar feito um louco na capa do teu vermelho. anda! fode-me com mãos de artista em cor de poeta. revolta em mim e seca-me o sentimento, anda fode-me. fode-me com força, faz de mim a tua marioneta, o teu povo em manifestação de guerra! pinta-me de vermelho e trespassa-me em vontade. cavalga-me como touro que investe em bandarilhas de toureiro... anda fode-me de vermelho!

Sábado, Abril 17, 2004

camisa lavada

vibro e sinto. espreguiço de tão estimulante e junto-me na união de todas as cores. o branco une e no branco me sento antes do abismo da folha, antes do silêncio e enquanto o branco me dilacera em página apenas branca enquanto me prescreve o sonho. silêncios de palco em vibração de limpo. contorções de higiene com claridade em ampliações de espaços. energia que se troca em favor da clareza mantendo apenas a verdade, nua e crua. monotonias em formas de dispersão, são pratos vazios em terrenos baldios. é o brilho no choro materno em branco da folha que em desenho me deito. silêncios em espaços vazios, áridos no deserto da vida em sala despida onde nada existe que o tempo gaste. branco e apenas refúgio, apenas silêncio em imensidão de branco de não ter pensamento, de não ter palavras ou traços. é aspirina em sol, em rodas de pintar absolutos de prazer. é lâmpada que se mantém acesa para afugentar pesadelos de glória. é branco, é camisa lavada de colarinhos aperaltados em dedos finos e corpos magros. sinto e vibro.

Sexta-feira, Abril 16, 2004

cor maior

será azul, será poema, será planeta, será mar, será céu, será teu. frescos de michelangelo em precisos de razão. celestiais em botecelli de azul como opção. cor certa com céu como limite e mar como meta. ahhh lógicas em tons de tanta ponderação. dá-me força e aumenta o meu horizonte em linha que me derrama. dá-me cor, dá-me visão em assunto que me rodeia. azul que paz trespassa e pinta as paredes mais negras. guerra que amordaça, muro de conflitos que em azul acalma e repousa. paz nos meus olhos em guaches de valor. quero azul, quero pintar a manta em ritmos de azul, calmo e ternurento em enxoval de bébé varão. foi azul como o céu, foi azul como o mar, foi azul como o planeta, foi azul este poema.

no fio da navalha

apetece-me escrever. ainda não sei bem porquê mas o impulso acabou por ser mais forte neste fim de dia, neste dia após dia em pele de homem. nesta noite após noite em que se finge que tudo está bem. envelheci, estou mais velho por cada dia que trespasso. ultrapassagens sem pisca pisca em traço contínuo. estou mais frio e mesmo assim bem mais divertido. frio como uma navalha em tons apertados com torniquete em garrote de drogado. overdoses em catapulta de veias escorraçadas. apenas sentir o correr sem meta, apenas deambular sem cronómetro, apenas deixar. quero a overdose da vida, tromboses na vastidão da paisagem em salmoura de sonho. imagens psicadélicas percorrem de fio a pavio, escorrego e caio. mais uma cicatriz no joelho, vale que foi o direito no esquerdo já não tinha espaço. rótulas de prazer em dor que trespassa a alma. zás agarrei-te e em louco me fiz arquitecto, imagens em 3d por onde rompo e envelheço.

Quinta-feira, Abril 15, 2004

um adeus sentado

alcançar agora já pouco importa. apenas adeus sentado numa pedra qualquer com as costas bem viradas para o muro. visto-me de negro e mijo para os sapatos, faço desenhos em desejos. bato com força a porta que teima em ficar entreaberta. fechadura que não fecha, vitral que me reflete, muro que me abraça. da urina já pouco resta, seca no calor do dia na espera da noite. saboreio cada lágrima projecto-me no cosmos. rebento janelas, estalo vitrais. amarro o meu desejo, tranco o meu calor. voei para norte embalado por ventos de sul, segui rotas de aves em voos rasantes de memória. desejos avassaladores, rasgos de loucura. procuro o calor em quadrantes de gelo, paisagens verdejantes em icebergs flutuantes. fantasias em limiar constante com rufar de tambores como ecos de glória. já não chego lá, a força emigrou, já cá não reside, fugiu a sete pés no meu adeus sentado numa pedra qualquer com as costas bem viradas para o muro.

Quarta-feira, Abril 14, 2004

toma lá disto!

e quero errar e quero partir e quero desistir e quero fugir e quero correr e quero morrer. eeeiiii eeii ei i. ecos em mim, vozes que retornam, se repetem vezes sem conta e teimam em fustigar a alma. inquieto, sinto-me irrequieto, batalhas sem fim, gritos exaltados de força, de raiva. gritos em garganta para o mais vasto vale. martelos em são joão na folia do carnaval. vidas mascaradas em rotinas de doutor com leis de arquitecto na astúcia de engenheiro. prefiro a máscara de palhaço em ritmos de músicas com rumos de sonhador em dribles de poeta. sonho alto em cantos pequeninos, horizontes longínquos mesmo na ponta do nariz. penso fácil na sagacidade do momento, instinto que me consola, impulso que me eleva, ímpeto que me estímula e leva. sinal que conduz ao longo duma fibra nervosa qualquer. padrão inato em apenas impulso inocente de animal encarcerado. e quero luz e quero estar e quero ser e quero poder e quero sentir e quero viver.

Terça-feira, Abril 13, 2004

tentativa kundalini

em tentativa de colocar o ovo em pé cá vai uma meditação em quatro partes de quinze minutos cada um. movimento, dança, imobilidade e relaxamento. o objetivo é despertar das energias bloqueadas, dissolver a couraça corporal e permitir que aquilo que está interiormente petrificado se torne líquido, fluído e abundante. pelos vistos deve fazer-se ao final da tarde ou no início da noite. por isso amanhã lá tou eu. a primeira parte é apenas soltar, deixar o corpo todo abanar e fazer por sentir a energia vir dos pés. manter os pés fixos no chão, joelhos soltos e abanar. a segunda parte é dançar com tudo mesmo, dançar completo, deixar o corpo se mover livremente. terceira parte é sentado ou de pé, com os olhos fechados, permanecer imóvel, receptivo à música e olhar para dentro, testemunhando tudo que acontece da parte de dentro. por fim a quarta parte é apenas fechar os olhinhos, deitado e relaxado durante os últimos 15 minutos. será que depois disto tudo o ovo vai ficar de pé? não sei não...

clicks de memória

o ovo será a imagem, será o meu ovo que tanto hei-de andar que vou conseguir colocá-lo em pé! eu tenho uns livros em branco carregados de textos, apenas textos atirados para lá, ao calhas, na sorte. também tenho uma bolsa daquelas que saem com as giletes com uma série de coisas. aí a sorte já foi bem menor, só coloco lá o que preciso, o indispensável. gosto da escova de dentes que lá tenho, é unica, é minha! os textos esses são uma coisa qualquer, sairam de mim mas já não me pertencem, despejei-os para os livros ou então para a pasta dos meus documentos aqui do portatil. foram filhos que brotei, foram ejaculações, algumas precoces outras dignas de uma longa metragem qualquer, foram diarreias cerebrais como dizem alguns meus amigos, foram merdas e mais merdas que apenas me apeteceu registar. não pago revelações nem preciso de cartões de memória, apenas registo com as teclas ou então pela caneta mesmo.

Segunda-feira, Abril 12, 2004

humm que bom...

não... não vou parar, quero mais e mais. quero sempre mais e deito-te sobre a cama. sim na cama, quero-te nua, quero percorrer a tua pele com os meus dedos, quero percorrer a tua pele com os meus lábios já humedecidos pela língua que descobriu a tua boca. hummm que bom, quero-te te beijar a anca, o umbigo e mordiscar o clítoris enquanto que te enterro um dedo na tua cona húmida e quente. hummm que bom, quero-te sentir toda na minha boca, quero agora trocar a posição do dedo com a língua e poder descobrir o quanto sabe o teu sexo. hummm que bom, quero-te agora deitada de costas para mim, quero-te mordiscar as nádegas enquanto as massajo levemente. quero a nuca, quero a nuca toda só para mim enquanto me deito sobre ti e entro todo em ti. hummm que bom...

porquê surdo

chiuuuu, faz pouco barulho, caminha em ponta dos pés, não faças barulho, chiuuu. o sol já se deita, sonolento e os pássaros já nos chamam. chiu, isto é música para os meus ouvidos, ora ouve! sinos distantes em margens do rio que teima em serpentear. a noite quente cai neste som tão nítido de um tempo tão estranho. é o mundo a cantar para nós, consegues ouvir? olha, olha o vento sussurra-nos algo, consegues decifrar o código dos anjos? chiu e mais uma melodia nos invade, ora ouve. é o rio a bater nas pedras e a acariciar o verde das ervas. não faças barulho, os pássaros chamam por mim, querem que me deite, querem que aprecie as nuvens e veja o telejornal que elas transmitem. olha, olha lá vai uma de encontro à outra, são sorrisos de crianças a jogar cabra cega no último raio de sol desta tarde que se despede.

crescer em crescendo

começou por apenas uma brincadeira mas foi crescendo, crescendo e absorvendo até que de repente aqui estou a crescer. são gritos a gritar dentro de mim, são sonhos a sonhar, são mudanças a mudar, enfim são ecos de mim. calma em nervoso miudinho, alegrias em tristezas de palhaço, carinhos em arrepios de espadachim, pureza em esgoto de alma. alturas em que o meu mundo era apenas mais mundo, apenas mudanças estranhas, apenas poesia quando acabou por ser... apenas folia. rasgo horizontes, transplanto gritos, planto sonhos! canções mais claras, hinos de glória, melodias de nanar. paixão em revolta por caminhos de saudade, esperança em paisagem por visões de sábio. desespero nunca, pois o sonho tenho-o nas minhas mãos. rasgo horizontes, transplanto gritos, planto sonhos! ritmos de embalar, cadências de harmonia, pulsação em amanhã ser mais um dia, quando o meu mundo era mais mundo.

Domingo, Abril 11, 2004

boas! ...e quentes?

vi montes de gajas boas e passei-me. não nada disso! não caminhei curvado, bem pelo contrário, até enchi o meu peito de ar e tentava mesmo fazer cabedal. estava a achar aquilo deveras interessante. por vezes ainda deixava cair o olhar á matador mas comecei a desanimar por tamanha abundância de carinhas lindas, corpos esbeltos e lábios carnudos. possa eram muitas! aquilo de certeza que era castigo, tá bem uma meia duzia. agora ás dezenas? porra um homem não é de ferro e aquilo estava mesmo complicado. começou-me a doer o pescoço de tantas vezes virar aqui a cabecinha e realmente já estava com a cabeça ás voltas. bem que coçava o couro cabeludo e tentava focalizar mas tava dificil. desisti, atirei a toalha ao chão e sentei-me a ler a revista do público. lembro-me melhor do artigo do que o nome do café tão bem povoado, ainda á pouco dei voltas e voltas aqui á cabeça para ver se me lembrava do nome, mas nada. agora do artigo, tá cá todo encaixado e teima em não sair.

queria perto

não fiquei perto de mim, nada disso! nem com a fantasia de estudante apesar de o querer tanto. existe ainda a criança dentro de mim, existe o desejo. sou um livro aberto sem marcadores por perto, apenas folhas encavalitadas numa dobra algo estranha. autocarros e paragens em números ímpares. subidas íngremes em que as descia feito um louco. tinha metade, metade da idade e já queria perto, perto o segredo de me ter perto. longe dos paralelos, salasares em granito que complicavam a descida em correria desenfreada. queria apenas perto o estudante de geografia, o desejo ao escrever na carteira o nome e o 27 que lá iria passar. queria perto! perto de tão longe se transformar. queria a mochila, o estojo e as capas de argolas com recortes de mar e ondas que ainda tilintam por perto. isso anda para cá, anda para perto, não fujas tanto de mim, quero-te aqui ao meu lado, quero-te perto.

Sábado, Abril 10, 2004

não sei o que vou fazer, não faço ideia. o sol fugiu neste céu com estrelas multicoloridas. preciso de uma cor, remexo tintas, misturo frasquinhos, existe uma que ainda não colori. forte! quero forte, quero a sorte e um verbo qualquer para conjugar neste tempo, neste momento. pode ser perto, longe, pouco importa! entre o céu e o firmamento não há tempo de ressentimento, apenas o lugar que se ocupa pelo vento. azul com vermelho e um pouco de amarelo, aahh cor maldita que teimas em desfocar o pensamento. sujas o pincel e baralhas a alma. pim e uma gota de verde em pincelada forte. borrato a tela. viro picasso em harmonias de wagner. cânticos de guerra com pincel como espada em vozes de shakespeare. de que vale olhar se não vejo, de que vale escutar se não ouço, de que vale tocar se não sinto. aahhh cor maldita! cor teimosa que teima em não surgir.

Sexta-feira, Abril 09, 2004

desenhos de mim

apenas o medo fere o meu coração, o peito aperta e a respiração mal se sente. esqueço tudo e salto, desaperto o butão da cima da camisa e corro feito um doido qualquer. esta bem assim? que achas? penetro o sentimento, forte por sinal de tanto aperto no coração. caminho na realidade e choro nos sonhos, tremo no tempo e esqueço a lembrança, o souvenir até ao fim da tristeza. apenas vivo no sonho, apenas quero o sonho e pinto as lágrimas de azul. pinto de cores frescas, desenho chuva com pintas de saudade, são lágrimas do poeta enterradas no branco do papel. o tempo muda e no palco apagado apenas me observo, quieto e abraçado pelos dias que passaram. em tons de guerra pinto as nuvens e o medo deixo transparente. trovão rompe-me o tímpano em gritos de solidão. pensar que se arrasta em raios de receios, medos de mim em sonhos abraçados de desejos. apago a chuva e as lágrimas limpam as cicatrizes da memória.

Quinta-feira, Abril 08, 2004

em tango

perco-me no pensamento, perco-me no tempo. perco o olhar no horizonte, repouso a alma. perco-me nas teclas! apenas inspiração mas a dos pulmões por cada olhar mais profundo no pensamento. apenas isso! lembro-me da tarde, do olhar no horizonte volta e meia interrompido pelo homenzinho com o detector de metais. lembro-me das pombas emaranhadas nas gaivotas, lembro-me do vento a contar-me histórias. relembro novas idas, relembro outros edíficios, relembro outros horizontes. morre em mim seduções de prazer, copos de vinho a raspar os balcões, histórias de maldizer. corro contra o vento, rasgo horizonte, salto em mim e percorro multidões. dança devassa, corpos rigídos, melancolias de bordeis. fascínios do tango. coxa contra coxa e um, dois, três, quatro, cinco, proibido trocar palavras, apenas os corpos falam e os olhos traduzem falas mansas. sorrisos de alguêm, perfume que esvoaça, corpos que explodem de emoções fortes, intensas e concentradas na rigidez do gesto.

Quarta-feira, Abril 07, 2004

é

amor é querer sexo é poder, amor é vale sexo é montanha, amor é paz sexo é guerra, amor é brisa sexo é vento, amor é coração sexo é pulmão, amor é toque sexo é apalpão, amor é canoa sexo é surf, amor é pentear sexo é despentear, amor é andar sexo é correr, amor é tempo sexo é momento, amor é rosa sexo é espinho, amor é dormir sexo é acordar, a