um adeus sentado
alcançar agora já pouco importa. apenas adeus sentado numa pedra qualquer com as costas bem viradas para o muro. visto-me de negro e mijo para os sapatos, faço desenhos em desejos. bato com força a porta que teima em ficar entreaberta. fechadura que não fecha, vitral que me reflete, muro que me abraça. da urina já pouco resta, seca no calor do dia na espera da noite. saboreio cada lágrima projecto-me no cosmos. rebento janelas, estalo vitrais. amarro o meu desejo, tranco o meu calor. voei para norte embalado por ventos de sul, segui rotas de aves em voos rasantes de memória. desejos avassaladores, rasgos de loucura. procuro o calor em quadrantes de gelo, paisagens verdejantes em icebergs flutuantes. fantasias em limiar constante com rufar de tambores como ecos de glória. já não chego lá, a força emigrou, já cá não reside, fugiu a sete pés no meu adeus sentado numa pedra qualquer com as costas bem viradas para o muro.


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